EUA e aliados atacam Síria. Rússia fala em “ato de agressão”

EUA, França e Reino Unido lançaram uma ofensiva com mísseis contra instalações de armas químicas na Síria, depois dos ataques na cidade de Douma. Rússia convoca Conselho de Segurança da ONU.

Donald Trump a anunciar os ataques com mísseis na Síria, esta sexta-feira na Casa Branca, em Washington.

Está a decorrer neste momento uma operação conjunta com as Forças Armadas da França e do Reino Unido”, informava o Presidente norte-americano num discurso à Nação, citado pelas agências internacionais, esta madrugada, horas de Lisboa. Os ataques visam “alvos associados a instalações que produzem armas químicas” do Governo sírio, acrescentou Trump.

A BBC dava conta de relatos de explosões perto de Damasco, a capital da Síria. Uma testemunha no local, citada pela agência Reuters, diz que ouviu pelo menos seis explosões perto da cidade e viu levantar-se uma coluna de fumo. A televisão estatal síria está a noticiar que a Força Aérea local estava a combater o ataque conjunto dos EUA, França e Reino Unido.

Theresa May e a referência velada ao caso Skripal

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, confirmou o envolvimento britânico nas operações, dizendo que “não havia nenhuma alternativa prática ao uso da força”. Mas acrescentou que os ataques não visam uma “mudança de regime”.

Numa alusão também ao caso Skripal, Theresa May afirmou que “não podemos permitir que a utilização de armas químicas passe a ser algo comum — na Síria, nas ruas do Reino Unido, ou em qualquer parte do mundo. Teríamos preferido um caminho alternativo. Mas nesta ocasião, não há nenhum outro”.

Os ataques são uma resposta à alegada utilização de armas químicas na semana passada na cidade de Douma, na Síria. O objetivo deste raide, segundo Trump, “é funcionar como um dissuasor contra a produção, disseminação e utilização de armas químicas”.

Tweet de um correspondente da Associated Press no Médio Oriente

Sobre o presidente Bashar al-Assad, Trump não foi meigo nas palavras: “Estas não são ações que podemos atribuir a um homem, são, ao invés, crimes de um monstro”.

Damasco e o regime de Bashar al-Assad negaram a autoria dos ataques em Douma, e a Rússia veio esta semana avisar que um ataque do Ocidente na Síria poderia conduzir ao início de uma guerra. A Síria avisou o Ocidente, na ONU, de que “não terá outra opção” a não ser defender-se caso seja atacada. “Isto não é uma ameaça. Isto é uma promessa”, disse o embaixador sírio junto das Nações Unidas, Bashar al-Jaafari, esta sexta-feira.

Macron diz que ataque será “circunscrito”

O presidente Emmanuel Macron também já veio confirmar a participação da França na operação. “Não podemos tolerar a banalização do uso das armas químicas”, salienta Macron em comunicado, citado pela agência EFE.

No documento, Macron assinala que o ataque “está circunscrito às operações do regime sírio que permitem a produção e utilização de armas químicas”. Explicou que o parlamento francês será informado da ofensiva e será aberto um debate parlamentar, como estipula a Constituição francesa.

O vídeo do momento em que os aviões franceses preparavam a descolagem

Trump avisou que os mísseis iam chegar… e chegaram

Desde a semana passada, altura em que aconteceram os ataques químicos em Douma, último bastião rebelde nos arredores de Damasco, que se intensificavam os sinais de que o Ocidente iria atacar a Síria.

No passado dia 11 de abril, o presidente dos Estados Unidos dirigiu-se aos russos, com a seguinte mensagem no Twitter: “A promessa da Rússia é derrubar todo e qualquer míssil disparado contra a Síria. Prepara-te Rússia porque eles vão chegar, agradáveis, novos e ‘inteligentes’”.

A Rússia sempre negou que o regime sírio tenha usado armas químicas em ataques na cidade de Douma.

A resposta da Rússia: um “ato de agressão”

De acordo com a CNN, o embaixador russo nos EUA já veio avisar para as “consequências” dos ataques na Síria.

Anatoly Antonov apontou o dedo a Washington, Londres e Paris e disse que “insultar o Presidente da Rússia é inadmissível e inaceitável”, acrescentando que os norte-americanos “não têm nenhum direito moral de acusar outros países”, já que os EUA possuem um grande arsenal de armas químicas.

Entretanto este sábado, o presidente russo Vladimir Putin já veio apelidar os ataques com mísseis como “um ato de agressão contra um Estado soberano”. A Rússia, aliada da Síria, já veio convocar uma reunião imediata do Conselho de Segurança da ONU, para “discutir” aquilo que diz ter sido “ações agressivas” dos EUA e dos seus aliados.

Companhias aéreas já tinham sido alertadas

Perante a escalada da tensão e a troca de acusações entre EUA e Rússia, a Eurocontrol lançou esta semana um alerta às companhias aéreas do leste do Mediterrâneo contra possíveis ataques aéreos contra a Síria com mísseis nas próximas 72 horas. O alerta foi emitido no dia 11.

A TAP garantiu na altura que não ia ser afetada, pois não sobrevoa esta área nas suas rotas, nem tem destinos na área em questão.

Dois tweets de Trump já este sábado: um sobre os aliados e outro sobre o Exército

(Notícia atualizada às 14h08, horas de Lisboa)

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