Marques Mendes: Críticas do Bloco de Esquerda ao Programa de Estabilidade são “pirotecnia política”

Mendes considera que Centeno quer ficar na história como o ministro que acabou com o défice e considera que os partidos não têm perdão por terem arrastado durante dez anos a solução para o S.João.

A semana que agora termina foi a “mais difícil” de sempre para a geringonça. O Bloco de Esquerda fez um ultimato ao Governo para alterar o Programa de Estabilidade até sexta-feira e depois anunciou que vai apresentar um projeto de resolução para que o Parlamento vote o défice de 0,7% em 2018. Mas, apesar do subir de tom, Luís Marques Mendes considera que se trata apenas de “fumaça”, porque nunca irá chumbar o Orçamento do Estado. “É pirotecnia política”, defende no seu comentário semanal na Sic.

“Foi a semana mais difícil para a geringonça porque o Governo não negociou isto com os seus parceiros”, afirmou Marques Mendes. “Este é um Programa de Estabilidade que agrada ao PSD e ao CDS, o que eles fariam se estivessem no Governo”, acrescentou.

Segundo o antigo presidente do PSD, “Centeno fez de polícia mau durante a semana toda. Fez de Vítor Gaspar“, sublinhou, numa referência aos alertas lançados este sábado por Catarina Martins de que o ministro das Finanças estava a reeditar os erros de Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque. “Estrangular o SNS, em nome de décimas de défice, que significam ir além de todos os compromissos com Bruxelas, é repetir os piores erros de Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque. O que o país precisa é de se preparar para o futuro, saber que tem um SNS que responde ao que a população necessita”, disse a líder bloquista.

Para Marques Mendes a opção de reduzir o défice para 0,7% tem várias explicações: “Centeno quer ficar na história como o ministro das Finanças que acabou com os défices“; “está a correr em pista própria porque quer ser comissário europeu e vice-presidente da Comissão Europeia, um plano que acaba por ser bom para o país”, reconhece o comentador; e “está a carregar nas tintas para pôr ordem no Governo”.

Esta opção é “um problema para a geringonça, e em especial para o BE, que é um bocadinho mais inconsistente”, defende Marques Mendes, reconhecendo que “Centeno fez melhor de líder da oposição do que Rui Rio ou Assunção Cristas“. Mas este jogo permite ainda que “Centeno faça de polícia mau” enquanto “Costa faz de polícia bom, com um discursos mais apaziguador”.

O comentador acredita que apesar do Programa agora apresentado, no momento do Orçamento do Estado para 2019, o primeiro-ministro vai ter “margem para poder negociar e evitar uma crise política”. Uma crise que, na sua opinião, nunca vai acontecer porque ninguém está interessado em eleições antecipadas. “Apesar de o Bloco estar muito incomodado, isto é só fumaça, porque nunca diz que vai chumbar o Orçamento do Estado. É pirotecnia política. São foguetes porque ninguém, em Portugal, quer eleições antecipadas”, diz.

Apesar de o Bloco estar muito incomodado, isto é só fumaça, porque nunca diz que vai chumbar o Orçamento do Estado. É pirotecnia política. São foguetes porque ninguém, em Portugal, quer eleições antecipadas.

Marques Mendes

Mas apesar do fogo sem consequências, há uma questão que “o Governo tem de resolver — o problema mais sério e sensível — o aumento dos funcionários públicos”. “Centeno diz não, Costa diz talvez um ajustamento à inflação”, lembra Marques Mendes, sublinhando que Costa sabe que a “Função Pública é a sua base eleitoral” e que o chefe de Governo pode correr o risco de ser confrontado com uma situação idêntica à de Pedro Passos Coelho com o alegado corte de 600 milhões nas pensões. Recorde-se que no Programa de Estabilidade não está previsto um aumento da Função Pública, mas este fim de semana, o primeiro-ministro admitia, em declarações ao Expresso (acesso pago) um aumento dos funcionários do Estado em 2019, mas recusou que isso possa ser uma “moeda de troca” perante o mal-estar da esquerda.

Para Marques Mendes toda esta contestação em torno do Programa de Estabilidade até pode acabar por favorecer o Executivo e reforçar as suas pretensões de uma maioria absoluta. “Se isto for bem gerido da parte do Governo pode acabar por lhe correr bem e até pode reforçar a possibilidade de uma maioria absoluta. Isto fortalece a ideia de que o Governo joga para o eleitorado moderado”, sublinha. Mas esta jogada tem uma outra consequência: deixa o PSD sem grande espaço de manobra. Até ao Orçamento do Estado, o comentador acredita que Rui Rio “terá várias oportunidades”, “mas não pode propor coisas que não sejam muito credíveis”, alerta.

O líder do PSD, que na sexta-feira comemorou três meses de liderança do partido, não deixa um balanço “fantástico”. Mas os acordos que estão prestes a ser assinados entre o PSD e o Governo, ao nível dos fundos comunitários e da descentralização, podem valer a Rui Rio ganhos em termos de “credibilidade e popularidade”, até porque “há 12 anos que não se faz um acordo de regime”. O acordo ao nível dos fundos comunitário vai ser assinado esta semana que se inicia, já o da descentralização ainda está dependente de uma reunião que haverá segunda-feira entre o ministro Eduardo Cabrita e Álvaro Amaro.

(Notícia atualizada)

 

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