Centeno sobre aumentos da Função Pública: “Nunca digo nunca”

  • ECO
  • 17 Abril 2018

Ministro não fecha a porta aos aumentos salariais da Função Pública. "Nunca me ouviu dizer a palavra nunca", diz Centeno, que defende uma estratégia de cautela que prepare o país para momentos piores.

António Costa diz considerar “extemporânea” a questão dos aumentos salariais da Função Pública em 2019. Mário Centeno prefere não fechar portas. “Nunca me ouviu dizer a palavra nunca e também não vai ser agora”, sublinha o ministro das Finanças, em entrevista à TSF.

O governante garante que, no Orçamento do Estado para 2019, o descongelamento das carreiras irá prosseguir e realça que, deste modo, os funcionários públicos vão ter um aumento, no próximo ano. Ainda assim, pouco diz sobre a subida de salários.

Questionado sobre a existência de margem para efetivamente concretizar esses aumentos extraordinários, o ministro reforça que “o Orçamento é um exercício de equilíbrios” que tem de “satisfazer obviamente um conjunto de compromissos que já estão assumidos”.

Mário Centeno defende uma política de cautela.Paula Nunes

As tentações de Centeno

Mário Centeno diz que “jamais vai prever crises”, mas garante que está trabalhar para que o país esteja preparado para “lidar” com tais condições económicas. O ministro reconhece, no entanto, que “há sempre uma enorme tentação de ultrapassar um conjunto de condições orçamentais”, quando “o sol brilha durante três ou quatro meses”.

Longe das tentações, o governante lembra que tais decisões tomadas em dias de sol levam ao aumento das taxas de juro e à insustentabilidade da dívida, acabando por afastar o país do “porto seguro” durante os períodos de maior tormenta. Portanto, Centeno diz acreditar que Portugal precisa de “aproveitar” o atual contexto económico para se preparar para esses dias mais feios e acrescenta que tais escolhas não colocam o acordo à esquerda em risco.

Diminuir carga fiscal?

Cautela é uma das palavras de ordem da estratégia do ministro das Finanças, estando, por isso, qualquer diminuição da carga fiscal sujeita à concretização de um superavit das contas públicas. “É muito importante que não percamos de vista esta ideia de que o sol, de facto, não brilha todos os dias… E temos que nos precaver”, nota o governante, na entrevista à mesma rádio.

Mário Centeno reforça que o “caminho” que a economia portuguesa está a percorrer “tem de ser feito com equilíbrio”. Nesse sentido, o político adianta que a trajetória “cautelosa” que tem sido feita tem sido bem-sucedida e de certa forma traduz mesmo um contínuo alívio do ponto de vista dos impostos sobre o rendimento.

Quanto ao Orçamento do Estado para o próximo ano e sua à aprovação pela esquerda, o ministro mostra-se confiante. “Vamos chegar com certeza a um entendimento em relação ao Orçamento de Estado de 2019 tal como fizemos até aqui”, conclui Centeno.

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