Batata e ovos subiram em março. Frescos ficaram mais baratos

  • Juliana Nogueira Santos
  • 20 Abril 2018

Para além da variação dos preços dos produtos, o INE destaca que as chuvas fortes que caíram em março não trouxeram só benefícios.

No mês de março, o preço da batata e dos ovos no produtor aumentaram na ordem dos dois dígitos, enquanto o preço dos frescos caiu. Os números foram divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística.

Segundo o Boletim Mensal da Agricultura e Pescas relativo ao mês de abril, “verificou-se um acréscimo no índice de preços da batata (+18,9%), dos ovos (+17,3%), suínos (+11,1%), azeite a granel (+3,8%), ovinos e caprinos (+2,7%), aves de capoeira e bovinos (ambos com +0,5%)”, isto na comparação com o mês passado.

De acordo com o INE, a subida do preço da batata deveu-se aos atrasos nas plantações de batata de regadio, “já que as condições de encharcamento não permitiram a adequada preparação dos terrenos”. “As plantações anteriores decorreram sem problemas, excetuando algumas situações em que, devido à saturação dos solos, ocorreu o apodrecimento dos tubérculos”, acrescenta ainda o instituto. “Preveem-se reduções de 5% na área de batata de regadio e 10% na de sequeiro, face à campanha anterior”, precisa a instituição, o que deverá pressupor a continuação de preços elevados.

Já relativamente aos produtos que viram os seus preços no produtor reduzidos, a instituição destaca a queda de 11% das hortícolas frescas, a de 9,4% dos frutos e de 0,5% das plantas e flores, um desempenho que se justifica pelas “condições meteorológicas promoveram também o desenvolvimento das áreas forrageiras”, explica o INE.

Chuvas fortes encharcaram os solos

E se em fevereiro o documento do INE alertava para a pior campanha de cereais de inverno do último século, isto devido ao tempo seco e quente, parece que este fator já desapareceu.

Nas previsões agrícolas deste boletim o INE aponta para “um aumento na produtividade dos cereais face à campanha anterior, com as searas a responderem positivamente à precipitação deste mês”. A chuva forte que tem caído contribuiu também para o “desenvolvimento das áreas forrageiras” e “o reestabelecimento do armazenamento de água nas charcas, albufeiras e aquíferos subterrâneos”.

Ainda assim, nem tudo foi positivo. A pluviosidade elevada também trouxe prejuízos, principalmente por terem levado ao encharcamento dos solos. Desta forma, “destaca-se a dificuldade na preparação dos terrenos para a instalação das culturas de primavera/verão, prevendo-se uma diminuição da área de batata plantada (-5% na de regadio e -10% na de sequeiro, face a 2017).

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