“Banca fraca e dívida elevada” mantêm Portugal no lixo, diz a Moody’s

  • Rita Atalaia
  • 26 Abril 2018

O setor bancário "fraco" e a dívida pública ainda elevada são dois constrangimentos à subida do rating de Portugal. Quem o diz é a Moody's, depois de ter mantido a notação da República em "lixo".

A Moody’s disse que o rating atribuído a Portugal será melhorado se concluir que os progressos alcançados a nível orçamental e económico são sustentáveis. Agora, a agência de notação financeira vem dizer que a banca nacional ainda “fraca” e a dívida ainda elevada do país continuam a limitar a subida do rating atribuído à República. Isto depois de a Moody’s ter mantido, na sexta-feira passada, a dívida soberana portuguesa ainda no “lixo”.

“Os constrangimentos do crédito de Portugal estão relacionados com a dívida pública muito elevada com o setor bancário fraco“, afirmou a Moody’s num comunicado. A agência norte-americana continua a ser a única entre as quatro maiores a atribuir à dívida pública portuguesa uma nota especulativa, quando já a Standard & Poor’s, Fitch e DBRS colocam Portugal no patamar de investimento.

"Os constrangimentos do crédito de Portugal estão relacionados com a dívida pública muito elevada com o setor bancário fraco.”

Moody's

Apesar de reconhecer que houve progressos na redução da dívida pública para os 125,7% do PIB no ano passado, “a dívida vai continuar perto dos 120% do PIB até 2021, uma das mais elevadas entre os países avaliados” pela agência de notação, refere a Moody’s.

Na banca também ainda há muito trabalho pela frente, apesar de todos os esforços já feitos para reduzir o crédito malparado e diminuir o peso que este tem no balanço das instituições financeiras. “O setor bancário continua a exibir níveis de rentabilidade e rácios de capital comparativamente baixos e um nível ainda elevado de NPL [malparado], de tal forma que a banca continua a ser um risco para o rating de Portugal”, refere a agência de notação.

"O setor continua a exibir níveis de rentabilidade e rácios de capital comparativamente baixos e um nível ainda elevado de NPL [malparado], de tal forma que a banca continua a ser um risco para o rating de Portugal.”

Moody's

A agência de notação já tinha afirmado que o rating atribuído a Portugal será melhorado se concluir que os progressos alcançados a nível orçamental e económico são sustentáveis, e se a redução da dívida for constante. A Moody’s tinha agendado para sexta-feira passada uma revisão da notação atribuída a Portugal, mas optou por não se pronunciar, mantendo a avaliação da dívida portuguesa em Ba1, uma notação que é considerada “lixo”.

Questionada pela agência Lusa sobre o que motivou a manutenção, a Moody’s remeteu para a avaliação que tinha feito à dívida pública portuguesa em setembro passado e que levou a uma melhoria da perspetiva para positiva, indicando que a notação poderá ser melhorada num horizonte até 18 meses.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

“Banca fraca e dívida elevada” mantêm Portugal no lixo, diz a Moody’s

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião