BE quer comissão de inquérito a Manuel Pinho

  • ECO
  • 30 Abril 2018

O Bloco de Esquerda vai pedir a criação de uma Comissão de Inquérito Parlamentar para investigar o alegado recebimento indevido de verbas do GES pelo ex-ministro Manuel Pinho.

A investigação ao ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, continua no centro da agenda política. Depois de o PSD, PS e CDS terem solicitado a presença do antigo governante no Parlamento, surge agora a notícia de que o Bloco de Esquerda vai mesmo pedir a criação de uma Comissão de Inquérito Parlamentar ao alegado recebimento indevido de verbas do Grupo Espírito Santo (GES) por Manuel Pinho, enquanto este exercia o cargo de ministro da Economia, avançou esta segunda-feira o Público (acesso condicionado).

Segundo o deputado Jorge Costa citado por esse jornal, a comissão não se deverá cingir aos pagamentos feitos ao antigo governante. Os bloquistas querem que se apurem “as responsabilidades políticas” sobre as “rendas abusivas cobradas na área da energia”, que “foram lançadas no Governo de Durão Barroso, aprovadas no Governo de Santana Lopes e aditivadas em 2007 no Governo de José Sócrates com Manuel Pinho como ministro da Economia”.

Esta tarde, de visita à feira agropecuária Ovibeja, Catarina Martins acrescentou: “está aberta a porta para uma investigação maior”. A líder garante que a proposta em causa não pretende “substituir a Justiça”, mas avança que é a melhor maneira para que se perceba “o que aconteceu e acabar com as rendas excessivas na energia”. “A nossa expectativa é que a comissão seja aprovada”, confirmou ainda a bloquista.

De acordo com uma investigação do Observador, os pagamentos terão sido realizados a “uma nova sociedade ‘offshore’ descoberta a Manuel Pinho, chamada Tartaruga Foundation, com sede no Panamá, por parte da Espírito Santo (ES) Enterprises — também ela uma empresa ‘offshore’ sediada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas e que costuma ser designada como o ‘saco azul’ do Grupo Espírito Santo”.

No domingo, o presidente do PSD adiantou que vai pedir a audição do ex-governante. Esta segunda-feira, também Carlos César já se mostrou “favorável” a essa audição, que espera que se realize “o mais depressa possível”. Assunção Cristas confirmou, no mesmo sentido, que irá “viabilizar” essa ida do ex-ministro ao Parlamento.

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