Manuel Pinho disponível para ir ao Parlamento só depois de ser interrogado

O ex-ministro da Economia aceita ir à AR mas impõe condições: tem de ser avisado com antecedência e considera que só o deve fazer depois de interrogado pelo Ministério Público.

O ex-ministro da Economia Manuel Pinho está disponível para ir Parlamento prestar esclarecimentos sobre os alegados pagamentos pelo GES quando estava à frente do Ministério. No entanto, Manuel Pinho impõe condições para o fazer.

“O doutor Manuel Pinho – tendo sabido da iniciativa do PSD de solicitar a sua audição na Assembleia da República – agradece a oportunidade que lhe é dada e vem dizer que prestará todos os esclarecimentos atinentes às questões que os senhores deputados lhe queiram colocar relativamente quer ao período em que foi Ministro da República, quer antes, quer depois“, lê-se num comunicado enviado por Ricardo Sá Fernandes, advogado do ex-governante.

“O doutor Manuel Pinho está na China, em atividade académica para dar aulas e fazer conferências, mas deslocar-se-á a Portugal quando necessário, desde que avisado com antecedência razoável“, acrescenta o mesmo comunicado.

No entanto, o advogado explica que antes é preciso respeitar calendários. “Todavia, é sabido que as dúvidas que justificam essa diligência nasceram a partir da divulgação pela comunicação social de documentação que constará do processo em que foi constituído arguido (e onde há mais de dez meses aguarda por ser ouvido) e com a qual ainda não foi confrontado pela autoridade judiciária competente. Assim sendo, entende que essa audiência apenas pode ter lugar depois de ser interrogado
pelo Ministério Público.”

Ou seja, Pinho só falará no Parlamento depois de ser interrogado pela justiça.

No domingo, o líder do PSD, Rui Rio, adiantou que o partido vai chamar Manuel Pinho ao Parlamento para que dê esclarecimentos políticos sobre o caso que o envolve. O PS já se juntou a este pedido e o CDS também o apoia.

O Observador avançou a 19 de abril que o ex-ministro socialista recebeu cerca de 1 milhão de euros do saco azul do GES entre 2006 e 2012 – 500 mil euros quando era ministro. O Ministério Público diz que estes recebimentos serviam para beneficiar o BES e a EDP.

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