Marques Mendes: Há silêncio “comprometedor” no caso Pinho

Comentador disse esta noite estranhar silêncio de partidos, considerando que um ministro "ser avençado de uma empresa é inaceitável".

Marques Mendes fala de um “pacto de silêncio entre partidos” que considera “muito grave” no caso que envolve o ex-ministro Manuel Pinho. “Um ministro ser avençado, patrocinado por um grupo empresarial é inaceitável”, sublinhou, dizendo que o silêncio sobre o assunto por parte dos partidos é “comprometedor”.

“Em democracia, a ética não é a lei. Está para além da lei. Um ministro ser avençado de uma empresa “é inaceitável”, disse ainda, acrescentando que, apesar de tardia, a reação de Rui Rio foi positiva. “Mais vale tarde do que nunca”, adicionou.

Sobre os discursos do 25 de abril, Marques Mendes sublinhou que o de Marcelo Rebelo de Sousa não surpreendeu. “Tem falado destes assuntos messiânicos há anos”, justificou. “Quem estiver atento às últimas semanas e meses, percebe o porquê agora: o Presidente da República percebe que o país está satisfeito com a economia e o emprego mas cada vez mais insatisfeito com a política e os políticos”, disse, acrescentando outros temas: “Marcelo está cada vez mais preocupado com os populismos na Europa. E mostrou alguma preocupação com o deslumbramento do Governo. E, já fez sentir que está preocupado com o vazio da oposição. E, finalmente, olhando para casos como o de Sócrates e de Pinho, deve ser um murro no estômago: tem dificuldade, como Presidente, em intervir. Mas antes prevenir do que remediar. As questões são antigas mas são importantes. Mas teria sido interessante acrescentar mensagem de confiança”, assinalou Marques Mendes, no seu comentário de domingo, na SIC.

sobre a aprovação do Programa de Estabilidade, esta semana, o comentador foi crítico em relação a todos os partidos. “Com exceção do PCP, o resto foram cambalhotas políticas de vários partidos. O BE há duas, três semanas, ameaçou chumbar o programa. Chegou lá, direitinho, e acabou por votar ao lado do PS contra aqueles que queriam o chumbo”. O PSD é o máximo da cambalhota: apresentou uma resolução em que não defende o chumbo do programa. O CDS-PP, uma espécie de demagogia à solta. E, com estas cambalhotas, os políticos não são para levar muito a sério”, concluiu.

Outro dos assuntos sob comentário foi a moção de António Costa. Marques Mendes disse ter achado curiosos os quatro desafios que António Costa apresenta para o futuro, acrescentando que as referências aos partidos de coligação não existem. “E ficava-lhe bem reafirmar estes pontos”, disse o comentador. “Em toda a moção de 30 páginas não faz nenhuma referência aos seus aliados”. “Pragmático nas atitudes e agnóstico nos sentimentos”, disse ainda Marques Mendes, sobre António Costa e a sua moção.

Já sobre as alterações ao regime de arrendamento, Mendes disse que se trata de um tema difícil de solucionar uma vez que os interesses dos inquilinos e dos senhorios são muito diferentes. “O excesso criou um pico de especulação e rendas elevadas. No essencial, as mudanças parecem ir na boa direção”, sublinhou, acrescentando: “Recomendaria equilíbrio – regular mas não matar o mercado – estabilidade e consenso alargado”.

Ainda no habitual comentário de domingo e, face à desvalorização de Marcelo Rebelo de Sousa a respeito do atraso na nomeação do embaixador de Angola em Portugal, Marques Mendes disse que o Presidente não poderia fazer outra coisa. “Trata-se de um tema de justiça. Há meses que o Tribunal da Relação de Lisboa tem o caso, e tem toda a liberdade para decidir mas não deve demorar tanto porque essa demora está a prejudicar as relações Portugal-Angola”, disse.

 

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