Lucro da EDP cai 23%. Menos receitas com os CMEC penalizam contas

Sem o impacto das "alterações regulatórias adversas em Portugal", os lucros teriam sido de 245 milhões, justifica a elétrica.

A EDP reportou lucros de 166 milhões no primeiro trimestre deste ano, uma quebra de 23% face aos lucros de 215 milhões que tinha alcançado em igual período do ano passado. Sem o impacto das “alterações regulatórias adversas em Portugal”, os lucros teriam sido de 245 milhões. A empresa refere-se ao ajustamento que foi feito pelo regulador do setor energético, que levou a EDP a encaixar menos receitas com os Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual, os chamados CMEC.

Em setembro do ano passado, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) propôs que o valor a pagar à EDP ao longo dos próximos dez anos seja de 829 milhões de euros, o que equivale a 82,9 milhões de euros por ano. Esse montante é inferior em 167,1 milhões, por ano, relativamente às rendas de 250 milhões que a EDP recebeu anualmente na última década. Esse ajustamento dos valores a receber pela EDP teve já, no primeiro trimestre deste ano, um impacto de 18 milhões de euros nas contas da empresa liderada por António Mexia.

Sem esse ajustamento, bem como sem contabilizar o impacto negativo de outros fatores, os resultados teriam registado uma quebra, mas menos acentuada. Considerando apenas a atividade na Península Ibéria, as contas até teriam melhorado. “Excluindo o impacto não recorrente dos CMEC, o EBITDA recorrente [na Península Ibérica] subiu 2% em termos homólogos, para 204 milhões de euros no primeiro trimestre de 2018, já que a melhoria homóloga material da produção hídrica e margem integrada do mercado liberalizado foi mitigada pelas alterações regulatórias em Portugal”, aponta a empresa, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Ao mesmo tempo, a quebra de receitas com os CMEC veio atenuar o “impacto positivo da queda do preço médio de produção, fruto da forte recuperação dos recursos hídricos em março”.

A penalizar as contas da EDP esteve também a venda do negócio de distribuição de gás em Portugal e Espanha no ano passado, que teve um impacto positivo de 58 milhões de euros nas contas do primeiro semestre de 2017 que agora já não se verifica. A depreciação do dólar e do real face ao euro também teve um impacto negativo para as contas da empresa, no valor de 54 milhões de euros.

Feitas as contas, a EDP fechou o primeiro trimestre com um EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) a nível global de 893 milhões de euros, menos 12% do que tinha registado no final de março de 2017. Sem o efeito dos fatores não recorrentes, o EBITDA teria sido de 911 milhões de euros, o que representaria uma quebra de 4%.

Apesar da quebra nos resultados, a EDP aumentou a produção em 7% e o número de clientes em 1%. Por outro lado, reduziu a dívida líquida em 84 milhões de euros, para os 13,8 mil milhões de euros.

Notícia atualizada às 17h50 com mais informação.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Lucro da EDP cai 23%. Menos receitas com os CMEC penalizam contas

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião