Siza tem mais de um milhão investidos em 55 aplicações

O ministro Adjunto tem estado sob os holofotes mediáticos. O ECO foi consultar a declaração de rendimentos no TC e viu que Siza Vieira é um investidor que não põe os ovos todos no mesmo cesto.

O ministro Adjunto tem uma carteira diversificada de aplicações financeiras, avaliada em cerca de 1,2 milhões de euros. Este montante está espalhado por 55 tipos diferentes de aplicações, desde fundos de ações, de tesouraria, de obrigações, a uma conta em libras no Citi Bank, Law Firm Group. A estas aplicações, junta-se um rendimento de quase 1,4 milhões de euros que recebeu quando ainda era advogado da Linklaters.

Os rendimentos e património de Pedro Siza Vieira fazem parte da declaração que o governante entregou no Tribunal Constitucional a 21 de dezembro de 2017, que o ECO consultou na terça-feira.

Nela, Pedro Siza Vieira declara que recebeu quase 1,4 milhões de euros em 2016. Este é o valor total dos rendimentos previstos no IRS de 2016. A grande fatia resulta de rendimentos de trabalho independente (1,3 milhões de euros), com o restante a resultar da obtenção de mais-valias e de rendimentos de capitais.

A consulta desta informação permite perceber que Siza Vieira é um investidor com a carteira bastante diversificada, seguindo a regra de ouro que surge nos manuais de finanças pessoais: não pôr os ovos todos no mesmo cesto.

Pimco e antiga PT na carteira de Siza

Em fundos de investimento (tesouraria, ações e obrigações), todos do BPI, Pedro Siza Vieira tem aplicados um valor em torno de 86 mil euros. Além disso, o ministro Adjunto tem uma carteira de 39 títulos no valor de 860 mil euros, em aplicações financeiras (“movimentos mobiliários”). Entre estas está, por exemplo, uma aplicação num fundo da Pimco, a quem o Banco de Portugal impôs perdas na sequência da resolução do BES em 2014, e onde colocou cerca de 12 mil euros. Este pacote de títulos foi adquirido junto de duas instituições financeiras: Caixa Geral de Depósitos e Millennium BCP.

O ministro tem ainda planos-poupança reforma e uma conta no valor de 150 mil libras (171 mil euros à cotação desta quarta-feira) junto do Citi Bank, Law Firm Group, um serviço que o Citi Bank presta a advogados e suas empresas de definição de estratégias financeiras.

O ministro é também detentor de obrigações. Tem 40 mil euros em Obrigações do Tesouro e investiu 5.000 euros em obrigações da antiga PT Portugal e que já levaram alguns lesados a processar os bancos onde compraram as mesmas obrigações. No caso, Siza Vieira adquiriu estas obrigações junto do banco BPI.

Além destas aplicações, o governante tem ainda património imobiliário. Tem um apartamento em Lisboa e outra habitação no concelho de Grândola, não declarando ter qualquer empréstimo a pagar. Na declaração que está no Palácio Ratton, o ministro diz ter um carro.

Antes de ir para o Governo, o ministro era advogado e sócio há 16 anos na sociedade de advogados Linklaters, tendo vendido aquela participação. “A quota foi amortizada pela sociedade na véspera da tomada de posse“, disse ao ECO fonte oficial do gabinete do ministro Adjunto, justificando assim a ausência de referência àquela quota na declaração que foi entregue no TC.

No mesmo dia em que vendeu a quota, abriu uma empresa imobiliária com a mulher na qual tem uma quota de 50%, e na qual começou por ser gerente, cargo a que renunciou dois meses depois, após ter sido alertado para a incompatibilidade da função executiva com a gerência de uma sociedade por quotas. No dia seguinte, a 21 de outubro de 2017, tomou posse como ministro Adjunto.

O ministro Adjunto tem estado sob os holofotes mediáticos depois de notícias que o relacionam com a OPA à EDP e depois do ECO ter noticiado que Siza Vieira abriu uma imobiliária um dia antes de entrar para o Governo.

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