Próximo Orçamento do Estado “vai ser mais difícil de negociar”

  • ECO
  • 9 Junho 2018

Está mais tenso o ambiente entre o Governo e os partidos da esquerda, mas ainda sem ruturas, escreve o Expresso. PCP e BE pedem que se respeitem os compromissos. PS garante normalidade.

Está mais tenso o ambiente entre o Governo e os parceiros do PCP e do BE. Começaram esta semana as negociações para o Orçamento do Estado (OE), o último desta legislatura, num tom diferente mas ainda sem ruturas, em antecipação das reuniões que deverão ocorrer com o primeiro-ministro e o ministro das Finanças no final deste mês. As progressões nas carreiras dos professores prometem ser o tema mais quente em cima da mesa.

“O ambiente está mais toldado para o Orçamento do Estado, é evidente”, refere o líder comunista Jerónimo de Sousa, ao semanário Expresso (acesso pago). Do lado do BE, Jorge Costa não esconde que se antecipam dificuldades nas negociações. “O Orçamento vai, com toda a certeza, ser mais difícil de negociar”, disse ao jornal.

De acordo com o Expresso, que cita “fonte do Governo”, foi estabelecido que os partidos que apoiam a solução governativa vão tentar encontrar formas de construir um OE sem recuos e com avanços ainda por definir. Jerónimo de Sousa nota que “o tom mudou”. “Mas mantemos a mesma intenção e o nosso compromisso de fazer um exame comum da proposta”, refere, depois dos alertas ao primeiro-ministro António Costa, lançados nas jornadas parlamentares do PCP. Os comunistas apontam para o Governo, lembrando o executivo de que devem “cumprir o que ficou estabelecido”.

Já a posição do PS é de normalidade, afastando quaisquer atritos com os parceiros da esquerda. Citado pelo jornal, António Costa garante que “o PS sente-se bem com esta solução governativa” e não afasta um cenário de “hipotética maioria absoluta” nas próximas eleições — uma espécie de ‘geringonça 2.0’. Mas enquanto os socialistas rejeitam que tenha havido uma mudança de posição, os bloquistas, por sua vez, apontam nesse sentido. Ao Expresso, Jorge Costa refere que “há uma disponibilidade completa para negociar”. E acrescenta: “Não fomos nós que mudámos de atitude”.

O tema do descongelamento da carreira dos professores promete marcar estas negociações, que agora se iniciam, com o PCP a rejeitar perentoriamente a cedência de anos de trabalho para efeitos de progressão. “Os compromissos são para cumprir”, aponta Jerónimo de Sousa. E o PCP vai “tudo fazer” para que assim seja, garante o líder do partido.

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