Após dois meses de protestos, CGD ainda não iniciou “negociações sérias” sobre operação em França

  • Rita Atalaia
  • 20 Junho 2018

A delegação de trabalhadores da CGD em França acusa a administração do banco de ainda não ter iniciado "negociações sérias" sobre o destino da sucursal, mesmo depois de dois meses de protestos.

Cristina Semblano, porta-voz da intersindical FO-CFTC, na comissão de Orçamento e Finanças.Paula Nunes/ECO

Os funcionários da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em França continuam à espera de respostas por parte da administração. Na comissão de Orçamento e Finanças, a delegação de trabalhadores da Caixa acusa o banco liderado por Paulo Macedo de ainda não ter iniciado “negociações sérias” com os colaboradores. Isto depois de dois meses de manifestações contra o encerramento da sucursal francesa, um protesto que os funcionários prometem continuar.

“Depois de dois meses de conflito”, a administração da CGD ainda não iniciou “negociações sérias e conduzidas de boa-fé”, acusa a delegação de trabalhadores da CGD em França, que foi recebida pelos deputados na comissão de Orçamento de Finanças. “Isto confirma a convicção dos trabalhadores de que a CGD é para vender”, afirma.

O encerramento da sucursal francesa foi um dos compromissos assumidos no plano assinado entre o Governo e Bruxelas no âmbito da recapitalização do banco estatal. Apesar deste acordo, Paulo Macedo afirmou, em maio, que quer manter esta operação, mas para isso tem de ser “sustentável, rentável e solidária” com os esforços feitos pelo banco. Condições que a delegação de trabalhadores garante serem cumpridas.

“A CGD em França desempenha um papel na internacionalização das empresas portuguesas (…) é rentável, presta um serviço imprescindível e representa uma mais-valia para a economia”, defende a delegação, acrescentando que “alienar a CGD configura mais um abandono da comunidade portuguesa em França”.

A delegação de trabalhadores da CGD em França pediu para ser recebida pelos deputados com o objetivo de pedir “a mesma coisa que nas manifestações”, ou seja, “não à alienação” e “sim à defesa do serviço público à emigração em França”, pelo que a audiência solicitada à Presidência surge devido “ao afeto especial que ele [Presidente] tem pela comunidade emigrante portuguesa”.

Depois de ter sido recebida pela comissão de Orçamento e Finanças, a delegação de trabalhadores da CGD vai encontrar-se, na quinta-feira, com os assessores da presidência para os assuntos do Trabalho e para a Economia, no Palácio de Belém.

A sucursal em França da CGD tem 48 agências e mais de 500 trabalhadores. E a redução da sua atividade foi um dos compromissos assumidos pelo banco com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização. Além da diminuição da operação da CGD fora de Portugal, o acordo inclui também o corte do número de balcões e de funcionários em território nacional — o banco estatal vai fechar 70 agências até ao final do ano, das quais 25 já se conhece a localização. O objetivo é fechar 180 balcões em Portugal até 2020.

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