Líder da Sonae: Venda da TVI à Altice devia ter sido logo travada

  • ECO
  • 23 Junho 2018

Paulo Azevedo, presidente da Sonae, defende que a venda da Media Capital à Altice devia ter sido logo travada pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

A Autoridade da Concorrência (AdC) declarou “extinta” a compra da Media Capital pela Altice. Na opinião do presidente da Sonae, este negócio deveria, no entanto, ter sido logo travado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). “É daquelas situações a que, a nível institucional, se aplica bem a expressão ‘tivemos mais sorte que juízo‘”, determina Paulo de Azevedo, em declarações ao Expresso (acesso condicionado).

O líder da Sonae considera uma “falha institucional” da Assembleia da República o facto de, ao longo de todos estes meses, ter consentido que a ERC não travasse a operação em causa, deixando uma porta aberta à viabilização da transação.

No início da semana, o regulador declarou “extinta” a compra da Media Capital pela Altice, uma medida pedida pela própria dona da Meo, que argumentou que a AdC não tomou uma decisão em tempo útil. “[O país] teve “mais sorte que juízo”, já que, a concretizar-se, este negócio significaria “uma concentração grave do poder económico e de controlo sobre os media”, defende Azevedo.

“O que é importante repetir é que o país correu um grande risco pelo facto de a Assembleia da República ter deixado a ERC refém de uma só pessoa [Carlos Magno, ex-presidente da ERC] e incapaz de impor a opinião dos seus próprios serviços técnicos e dos demais administradores”, sublinha o gestor.

Paulo Azevedo foi sempre uma das vozes mais críticas deste negócio, que foi anunciado a 14 de julho do ano passado. À Lusa, o responsável chegou mesmo a dizer que a operação podia criar “uma Operação Marquês dez vezes maior”, referindo à investigação que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates e que envolve também a OPA da Sonae à PT.

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