Hotel inacabado em Vila Real, que Sócrates quis demolir, arrematado por mais de dois milhões

  • Lusa
  • 9 Julho 2018

O leilão do inacabado hotel do parque, uma “mancha negra” que afeta Vila Real há cerca de 30 anos, terminou esta segunda-feira com uma licitação máxima de 2.023.317,75 euros.

O leilão do inacabado hotel do parque, uma “mancha negra” que afeta Vila Real há cerca de 30 anos, terminou esta segunda-feira com uma licitação máxima de 2.023.317,75 euros, de acordo com a página online e-leilões. O edifício devoluto do hotel do parque, que está abandonado há mais de três décadas, foi colocado à venda por um fundo de insolvência, através de um leilão eletrónico que teve início a 15 de junho e terminou esta segunda-feira.

De acordo com a página online, e-leilões.pt, o valor de abertura do leilão era de 1.000.000,00 euros e o valor mínimo de venda 1.700.000,00 euros. Apenas esta segunda-feira e já nos minutos finais do leilão foram efetuadas licitações, que começaram no valor de 1.000.000,00 euros e terminaram com um lance de 2.023.317,75 euros, desconhecendo-se até ao momento quem ofereceu tal montante. O leilão deveria ter terminado às 11h00, mas as licitações nos minutos finais prolongaram o processo até às 11h26.

O edifício, um esqueleto de betão com vários andares, localizado na Avenida 1.º de Maio, uma das principais artérias da cidade, é considerado uma das principais “manchas negra” de Vila Real. O hotel representa um problema técnico-jurídico muito complicado, que envolve herdeiros, bancos e agora um fundo de insolvência.

Em 2000, aquando do lançamento do programa Polis de Vila Real, o então ministro do Ambiente José Sócrates defendeu a implosão do edifício. A ideia de Sócrates não avançou e, ao longo dos anos, a estrutura serviu de abrigo a toxicodependentes antes de ser vedado e, há cerca de 10 anos, foi anunciada a sua reconversão num hospital privado, um projeto que nunca saiu do papel.

O presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos, disse à agência Lusa que o leilão representa uma oportunidade de resolver uma “cicatriz na paisagem de Vila Real”. “O resultado do leilão é sinal inequívoco de que há interessados e querem rentabilizar o investimento, não é para que a obra fique parada mais 30 anos. Este é um dia de muita esperança para todos os vila-realenses que querem ver aquele problema resolvido”, salientou.

O autarca lembrou a promessa eleitoral que fez durante a campanha, em setembro de 2017, de que seria encontrada uma solução para o inacabado hotel e disse ainda que a câmara aguarda, agora, pela apresentação de propostas e projetos por parte de quem adquiriu o edifício neste leilão.

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