Empresários mais confiantes, mas investimento perde gás em 2018

Empresários reviram em alta expectativa de crescimento do investimento para 2018. No entanto, tendência face a 2017 é de abrandamento, explicado pelas empresas que têm entre 50 e 249 trabalhadores.

Os empresários estão mais otimistas quanto à evolução do investimento este ano. Ainda assim, se as expectativas se confirmarem haverá um abrandamento face a 2017, revelou o Instituto Nacional de Estatística (INE) esta segunda-feira.

“De acordo com as intenções manifestadas pelas empresas no Inquérito de Conjuntura ao Investimento de abril de 2018 (com período de inquirição entre 1 de abril e 28 de junho de 2018), o investimento empresarial em termos nominais deverá aumentar 5,1% em 2018, revendo em alta a expectativa de variação de 3,7% indicada pelo inquérito de outubro de 2017”, diz o INE.

O instituto acrescenta que “os resultados deste inquérito apontam ainda para um crescimento nominal de 7,3% do investimento em 2017, revendo também em alta o resultado do inquérito de outubro (5,5%)”.

Segundo o INE, verifica-se uma redução do número de empresas que revela intenções de investir, apesar do volume de investimento aumentar. Entre as empresas que responderam ao inquérito do INE apenas 79,1% revelaram intenção de investir, contra 81,2% em 2017.

Para o crescimento das intenções de investimento em 2018 contribuem nomeadamente as empresas com 500 trabalhadores ou mais ao serviço. As empresas até 249 trabalhadores apresentam quebras nas expectativas de investimento. São aliás as empresas que têm entre 50 e 249 trabalhadores que mais contribuem para a desaceleração do investimento entre 2017 e 2018.

As empresas exportadoras pertencentes à indústria transformadora apresentam uma expectativa melhora para 2018 em relação ao que se passa no grupo onde se inserem.

Empresas abrandam expectativas de criação de emprego

As empresas de Transportes e Armazenagem são as que apresentam o contributo mais forte para a variação das intenções de investimento este ano. “A desaceleração (2,2 pontos percentuais – p.p.) prevista da Formação Bruta de Capital Fixo empresarial entre 2017 e 2018 está associada sobretudo às secções de Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos e de Atividades de informação e de comunicação, (-3,0 p.p. e -1,8 p.p., respetivamente).”

Depois de em 2017 o investimento em construções ter dado um contributo negativo para as intenções de investimento empresarial, este ano a situação muda. “Para 2018, o investimento em construções apresenta o contributo positivo mais expressivo (2,4 p.p.) para a variação do investimento total (5,1%), seguido de outros investimentos e de equipamentos (1,7 p.p. e 1,3 p.p., respetivamente), enquanto o investimento em material de transporte contribui negativamente (-0,2 p.p.).”

Isto significa que quase metade do investimento previsto para este ano (47% mais concretamente) vem da intenção de realizar construções.

O inquérito revela ainda que o investimento para expansão da capacidade de produção explica cada vez mais os motivos do investimento, deixando para trás o investimento para racionalização ou reestruturação. O autofinanciamento é nos dois anos a principal forma de financiar o investimento e, entre 2017 e 2018, aumenta de 30,6% para 33% as empresas que apontam limitações ao investimento.

“Para a maioria das empresas, o principal fator limitativo ao investimento continua a ser a deterioração das perspetivas de vendas (25,6% e 25,4% em 2017 e 2018, respetivamente), seguindo-se a insuficiência da capacidade de autofinanciamento (20,9% e 21,2%, pela mesma ordem)”, diz o INE.

A desaceleração das intenções de investimento é acompanhada de um abrandamento das intenções de contratação de pessoal. O saldo das respostas extremas – que mede as opiniões/expectativas dos empresários relativamente ao impacto do investimento na variação do número de pessoas ao serviço através da percentagem de empresas recua de 16,3% para 16,1%.

“De 2017 para 2018, o saldo de respostas extremas para o total das atividades deverá diminuir ligeiramente, observando-se esta evolução em três das treze secções. É de realçar a secção das Indústrias Extrativas (-5,9 p.p.) com o decréscimo mais expressivo e a de Eletricidade, Gás, Vapor, Água Quente e Fria e Ar Frio (4,3 p.p.) com o acréscimo mais significativo deste saldo.”

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