Empresários estão mais otimistas, mas exportações vão abrandar

Os empresários que vendem para fora do país estão mais confiantes do que em novembro passado. No entanto, a confirmarem-se estas previsões, as exportações de bens deverão abrandar face a 2017.

Os empresários que vendem bens para fora do país estão mais otimistas. Em maio, quando o Instituto Nacional de Estatística (INE) fez um inquérito às empresas exportadoras as respostas mostraram que os empresários acreditam que as vendas para o exterior vão crescer este ano 6,4%, mais do que os 5,7% para onde apontavam em novembro passado. O cenário é melhor, mas a comparação com o que se passou realmente no ano passado aponta para uma perda de força das exportações de bens.

“As empresas exportadoras de bens perspetivam um crescimento nominal de 6,4% das suas exportações em 2018, revendo 0,7 pontos percentuais (p.p.) em alta a primeira previsão indicada em novembro de 2017“, escreve o INE no destaque publicado esta quarta-feira onde avança com a leitura mais atual que as empresas exportadoras fazem do mercado.

Este inquérito foi feito em maio, permitindo assim comparar a evolução da perspetiva das empresas exportadoras em seis meses.

A revisão em alta é uma boa notícia já que antecipa uma situação melhor do que a esperada na reta final do ano passado. No entanto, ela não deixará de se traduzir numa desaceleração face ao que aconteceu em 2017, quando as exportações de bens cresceram 10,1% em relação ao ano anterior.

O que explica esta melhoria nas perspetivas dos empresários?

O INE dá algumas pistas sobre isto. “Esta revisão resulta da atualização em alta das expectativas para as exportações intra-União Europeia (+1,0 p.p. para um crescimento de 7,3%) e em baixa das exportações extra-UE (-0,2 p.p. para uma variação de +3,7%).” Isto significa que foi de dentro do espaço da UE que vieram sinais mais positivos para as empresas exportadoras de bens.

E a opinião melhor aconteceu “sobretudo nas categorias dos Combustíveis e lubrificantes e Material de transporte e acessórios. As empresas apontaram o melhor comportamento que o esperado na generalidade dos mercados de destino já clientes e as alterações de preços como os principais motivos para essa revisão em alta“, concretiza o instituto estatístico.

Na terça-feira, o INE publicou dados sobre o andamento das exportações até maio, com os valores a apontarem para um abrandamento face a abril. Assim, as vendas para o exterior cresceram 6,2% face ao mesmo mês do ano anterior, depois de em abril terem registado um aumento de 17,7%.

O Governo prevê que no conjunto do ano um aumento das exportações de 6,3%. Esta projeção – que inclui além das vendas de bens, as de serviços – indica igualmente um abrandamento face a 2017, quando esta componente do PIB cresceu 7,8%.

A evolução das exportações é determinante para a economia já que elas valem cerca de 43% do PIB, segundo os números do Governo publicados no Programa de Estabilidade de abril.

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