Espanha rejeita extradição de Puigdemont apenas por peculato

  • Lusa
  • 19 Julho 2018

A Justiça espanhola recusou, esta quinta-feira, aceitar a extradição de Puigdemont apenas por peculato. No Twitter, o político diz que decisão revela "extrema fraqueza" do processo.

O Tribunal Supremo espanhol decidiu, esta quinta-feira, cancelar o mandado europeu de detenção do ex-presidente do Governo catalão Carles Puigdemont, recusando-se a julgar o independentista em fuga apenas pelo alegado delito de peculato e não pelo de rebelião.

O juiz Pablo Llarena responde assim à decisão tomada na semana passada pelo tribunal alemão de Schleswig-Holstein de extraditar para Espanha Carles Puigdemont apenas por um alegado delito de peculato (desvio de fundos), mas não pelo de rebelião, muito mais grave, que era solicitado pela justiça espanhola.

O cancelamento do mandado europeu de detenção significa que Puigdemont vai continuar em liberdade, mas não poderá regressar durante 20 anos a Espanha, onde seria imediatamente detido para responder pelo crime de rebelião, que só prescreve passado este período.

Puigdemont reage: recusa demonstra “fraqueza”

Carles Puigdemont acredita que a decisão do Tribunal Supremo Espanhol de cancelar o mandato europeu de extradição apenas por peculato “é a demonstração da imensa fraqueza” do processo.

Na rede social Twitter, Carles Puigdemont pediu também que a justiça espanhola “suspenda a prisão preventiva” dos outros nove líderes independentistas que continuam presos em Espanha e que “comece a agir de acordo com a justiça europeia”.

A equipa de advogados que defendeu o ex-líder independentista na Alemanha congratulou-se com a decisão do juiz espanhol Pablo Llarena de retirar a ordem de extradição.

Num breve comunicado, citado pela agência de notícias EFE, a defesa de Puigdemont apela à resolução do conflito por vias políticas. “É uma decisão razoável. É a consequência lógica dos nossos esforços nas últimas semanas e nos últimos meses”, escreveram os advogados.

O documento acrescenta ainda que “chega agora ao fim a perseguição europeia a Carles Puigdemont por parte de Espanha”.

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