FMI: Pico da retoma na Zona Euro já passou e riscos são “particularmente sérios”. Aterragem será “suave”

Falta de avanços no Brexit, tensões comerciais e complacência no ajustamento orçamental e nas reformas estruturais preocupam Fundo. Pico da retoma já passou, mas aterragem da Zona Euro será "suave".

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que o pico da recuperação da Zona Euro já passou e que o bloco da moeda única está perante riscos “particularmente sérios“. A instituição liderada por Christine Lagarde argumenta que, apesar de a expansão da economia da Zona Euro ainda se apresentar com “vigor”, está a perder ritmo.

A análise à economia da Zona Euro e às políticas desenvolvidas pelas autoridades do bloco da moeda única consta do relatório publicado esta quinta-feira pelo FMI ao abrigo do Artigo IV. Neste relatório são mantidas as previsões atualizadas este mês pelo Fundo. O PIB do euro deverá crescer 2,2% este ano, uma revisão em baixa face à projeção de abril. Para 2019, o Fundo espera um crescimento do PIB de 1,9%. Se estas previsões previsões se confirmarem 2017 terá sido o ano do pico da retoma, com o conjunto das economias da Zona Euro a crescer 2,4%.

Para o FMI, a Zona Euro ainda está a beneficiar dos esforços feitos pelas autoridades para tirar a economia da crise. “O crescimento permanece forte, transversal, e amigo da criação de emprego, mas já passou o seu pico”, lê-se no relatório divulgado pelo Fundo, que está convencido de que os dados do segundo trimestre vão apontar novamente para uma desaceleração do crescimento do PIB face aos registos verificados no ano passado.

No entanto, o Fundo não antecipa uma quebra de atividade abrupta. “Há boas razões, ainda assim, para esperar uma aterragem suave“, acredita a instituição sediada em Washington, antecipando que o consumo das famílias deve continuar a crescer apoiado numa”sólida criação de emprego” e “numa subida gradual dos salários”. Além disso, o FMI não vê o Banco Central Europeu (BCE) a subir as taxas de juro tão cedo.

A revisão em baixa das previsões para a Zona Euro resulta do facto de o FMI considerar que, no momento atual, “os riscos são particularmente sérios”.

O Fundo identifica como riscos para a Zona Euro a “complacência” com o ajustamento orçamental e as reformas estruturais necessárias — quando os países deviam estar a aproveitar para construir almofadas para os tempos difíceis –, a falta de progressos na saída do Reino Unido da União Europeia — que põe e cima da mesa o cenário de uma saída “disruptiva”, a diferença entre os EUA e a UE no ritmo de correção da política monetária – que pode levar a uma depreciação do euro –, e as tensões comerciais a nível mundial, geradas pela imposição de tarifas às importações dos EUA.

No capítulo orçamental, o FMI chega a dizer que, “infelizmente, os planos orçamentais dos estados-membros indicam que os países estão a fazer pouco ou a ir na direção errada” no que toca à redução da dívida. “Vários países com um endividamento elevado, incluindo Itália, Portugal e Espanha vão continuar a ajustar apenas ligeiramente ou nada mesmo este ano.”

 

 

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