Greve dos enfermeiros adia mil cirurgias no S. José, Sta. Maria e S. João

  • Lusa
  • 14 Agosto 2018

No turno da noite, a adesão à greve oscila entre os 83 e os 96%. Já a adesão nos hospitais do norte é mais variável, com maior predominância para o intervalo entre os 30 e 40%.

A greve dos enfermeiros, que cumpre esta terça-feira o segundo dia, vai obrigar ao adiamento de mil cirurgias nos hospitais de Santa Maria e S. José, em Lisboa, e no São João, no Porto, disse à Lusa uma fonte sindical.

“Nestes cinco dias [de greve] 1.000 cirurgias vão ser adiadas” nestes três hospitais, porque “os blocos cirúrgicos normais estão parados”, adiantou José Correia Azevedo, dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos de Enfermeiros (FENSE), que convocou a paralisação.

Sobre a adesão à greve no turno da noite, o dirigente sindical disse que se “mantém nos níveis” de segunda-feira, oscilando entre os 83 e os 96%.

José Correia Azevedo referiu que não são esperadas grandes oscilações nos próximos três dias, porque “as equipas, quando recebem o pré-aviso, começam a fazer o plano de trabalho, que neste momento já está feito para os cinco dias”.

Sobre o impacto que a paralisação está a ter nas consultas e nas cirurgias de urgência, o sindicalista disse que estão assegurados os serviços mínimos para “evitar situações de não retorno”.

“Nos cuidados primários mantemos o apoio àqueles doentes que estão dependentes e não têm recursos perto, não vamos deixar que se desloquem aos hospitais”, afirmou. Explicou ainda que tudo o que diz respeito “a pensos, injetáveis, administração terapêutica” que são “absolutamente essenciais”, o serviço está garantido.

Relativamente às consultas hospitalares, José Correia Azevedo disse que as que são asseguradas por médicos estão a funcionar normalmente, as que têm o apoio da enfermagem “estão paradas”.

Esta greve dos enfermeiros, marcada pela FENSE, que integra o Sindicato Independente Profissionais de Enfermagem (SIPE) e o Sindicato dos Enfermeiros (SE), visa exigir a conclusão da negociação do Acordo Coletivo de Trabalho entregue pelos sindicatos em 16 de agosto de 2016.

Os enfermeiros pretendem igualmente que seja criada uma carreira especial de enfermagem que integre a categoria de enfermeiro especialista. Reclamam também o descongelamento da carreira, lembrando que o Estado deve aos Enfermeiros 13 anos, 7 meses e 25 dias nas progressões, e a revisão das tabelas remuneratórias.

Adesão no norte

O conselho diretivo da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte afirmou esta terça-feira que a percentagem de adesão à greve dos enfermeiros, que começou na segunda-feira, “oscila entre os 9,5% e os 62%”.

Em declarações à Lusa, no primeiro de cinco dias de greve dos enfermeiros, o dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos de Enfermeiros (FENSE), José Correia Azevedo, disse que a adesão rondava os 90% e que só no Hospital de São João, no Porto, foram adiadas “400 cirurgias programadas”.

Em comunicado, a ARS/N afirma que “a percentagem de adesão verificada é variável, oscilando entre os 9,5% e os 62% – com maior predominância para o intervalo entre os 30 e 40% – ao contrário do que tem vindo a ser noticiado, informando uma participação, em alguns hospitais, superior a 90%”.

Pela análise da informação de segunda-feira e da até ao momento recolhida, nomeadamente através das diferentes unidades hospitalares da região Norte, com exceção do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, Unidade Local de Saúde do Alto Minho e Hospital de Barcelos, “todo o programa cirúrgico, ainda que com limitações e adiamento de algumas cirurgias, funcionou”, refere.

“No que respeita a consultas de ambulatório – de especialidade hospitalar – as agendas foram sendo cumpridas, com números de adiamentos, na maior parte dos casos, residuais e, em algumas unidades, até com realização a 100%”, sustenta a ARS/N.

Acrescenta que “nos cuidados de saúde primários de toda a região, também, até ao momento, não foi reportado ao conselho diretivo qualquer situação de rotura que, em função da mesma, tivesse que se proceder ao encerramento de qualquer unidade”.

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