Candidato presidencial brasileiro Jair Bolsonaro esfaqueado em ação de campanha

Numa ação de campanha em Minas Gerais, Jair Bolsonaro foi esfaqueado. O candidato presidencial foi sujeito a uma intervenção cirúrgica ao fígado. Suspeito já foi detido. Candidatos condenam ataque.

O candidato presidencial brasileiro Jair Bolsonaro foi esfaqueado esta quinta-feira durante uma ação de campanha em Juiz de Fora, em Minas Gerais. A gravidade dos ferimentos no abdómen obrigaram a que fosse sujeito a uma intervenção cirúrgica ao fígado. A Polícia Militar já deteve o suspeito, segundo a imprensa brasileira.

O filho do candidato do PSL, Flávio Bolsonaro, através da rede social Twitter disse que os golpes atingiram o pai no fígado, pulmão e intestino.

Uma correção face à primeira avaliação que publicou na rede social, na qual garantia que o candidato de extrema direita estava bem.

De acordo com a Folha de S. Paulo, o candidato de extrema-direita era carregado por apoiantes no centro da cidade quando foi atingido por um homem com uma faca, tendo sido depois retirado do local. Os vídeos feitos no local mostram como tudo se passou.

De acordo com a assessoria de imprensa do candidato, exames realizados no hospital revelam que Bolsonaro foi atingido no fígado e que por isso está a ser submetido a uma operação. Segundo o jornal “Gazeta do Povo”, o hospital confirma que Bolsonaro sofreu uma lesão hepática grave, passou por um ultrassom e foi encaminhado para o centro cirúrgico, sendo que o estado de saúde é considerado estável.

O candidato não estaria a usar colete à prova de bala e, segundo a Polícia Federal, tinha uma escolta policial que permitiu que o atacante fosse apanhado em flagrante delito. Um comunicado da Polícia Federal revela ainda que já foi instaurado um inquérito policial “para apurar as circunstâncias do ato”.

O autor do ataque já foi identificado como sendo Adelio Bispo de Oliveira, um homem de 40 anos, que, antes de ser detido sofreu várias agressões dos apoiantes de Bolsonaro. De acordo com o comandante do 2.º Batalhão da Polícia Militar de Juiz de Fora, o tenente-coronel Marco Antônio Rodrigues de Oliveira, citado pela plataforma noticiosa “G1”, disse que o suspeito “alegou que tentou ferir o candidato Jair Bolsonaro por ter divergências de ideias e pensamentos com ele”. “Ele não tem nenhuma filiação partidária. Falou que [foi] uma questão pessoal dele”, acrescentou o comandante.

Bolsonaro está em primeiro lugar nas sondagens com 22% das intenções de voto, segundo a sondagem divulgada esta quinta-feira pelo Ibope. Mas numa segunda volta perderia para os candidatos de esquerda com exceção do PT.

Os outros candidatos presidenciais já reagiram repudiando o ataque. Em múltiplas mensagens na redes sociais, todos condenam o ataque:

Também o Presidente brasileiro, Michel Temer, classificou como intolerável o ataque a Jair Bolsonaro. De acordo com a plataforma noticiosa “G1”, Temer afirmou que o episódio é “triste” e “lamentável”. “É intolerável que as pessoas falseiem dados durante a campanha eleitoral, é intolerável que nós vivamos num estado democrático de direito em que não haja possibilidade de uma campanha tranquila, de uma campanha em que as pessoas vão e apresentem os seus projetos”, declarou Temer durante uma cerimónia no Palácio do Planalto.

O Presidente disse ainda esperar que a situação “sirva de exemplo para que as pessoas que hoje estão a fazer campanha percebam que a tolerância é uma derivação da própria democracia, é a derivação do chamado estado de direito”. Bolsonaro, que passou mais de três décadas no Congresso, tem feito campanha defendendo que a polícia brasileira deve matar os suspeitos de tráfico de droga e outros criminosos. Defende abertamente a ditadura militar. O candidato de extrema-direita tem um processo em Supremo Tribunal por discursos que os procuradores consideram incitar ao ódio e violência. Para Bolsonaro estas acusações têm motivações políticas.

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