Costa promete a Mário Nogueira surpresa na lei das carreiras

  • Marta Santos Silva
  • 11 Setembro 2018

Confrontado pelo dirigente da Fenprof enquanto visitava uma escola, António Costa afirmou que a lei para recuperar os anos do congelamento para os docentes traria "mais do que [Mário Nogueira] pensa".

António Costa e Mário Nogueira defrontaram-se perante as câmaras de televisão quando o primeiro-ministro visitava escolas reabilitadas no Minho, no âmbito do arranque do ano letivo, e deu de caras com uma manifestação do principal sindicato dos professores, a Fenprof. O dirigente sindical e o chefe de Governo trocaram palavras afogueadas transmitidas pela SIC Notícias, e António Costa acabou por dizer a Mário Nogueira que o decreto-lei que o Governo preparou que prevê a recuperação de algum do tempo de serviço dos professores durante o período do congelamento das carreiras contém “mais do que pensa” o sindicalista.

“Vai ver que o decreto-lei diz mais do que pensa”, afirmou António Costa perto do final de um debate com Mário Nogueira que se prolongou por vários minutos à frente das câmaras. Mário Nogueira mostrou desconfiança mas disse ir esperar para ver o que conteria esse documento.

As declarações do primeiro-ministro surgiram quando Mário Nogueira acusou o Governo de — ao concordar em recuperar dois anos, nove meses e 18 dias do tempo do congelamento das carreiras para efeitos de progressões dos professores — adiar o princípio da recuperação por duas legislaturas. António Costa rejeitou que fosse o caso, perguntando: “Leu o decreto-lei?”, ao que o líder sindical respondeu: “Não, li o comunicado”.

Na sexta-feira, o Governo e os sindicatos encontraram-se para mais uma ronda negocial para acordar a recuperação dos anos de serviço dos professores durante o período em que as carreiras estiveram congeladas. Os professores reivindicam a recuperação de nove anos, quatro meses e dois dias para efeitos de progressão na carreira, enquanto o Governo tem estado disposto a recuperar dois anos, nove meses e 18 dias. No final da reunião, o ministro da Educação anunciou que não tinha havido acordo e que o Governo avançaria unilateralmente para um decreto-lei que efetivasse a sua proposta, que os sindicatos consideram insuficiente. Momentos após esta intervenção, o Ministério das Finanças enviou para as redações um comunicado no qual expressava a mesma intenção.

“Mas essa última negociação, para quê?”, perguntou mesmo Mário Nogueira esta terça-feira ao primeiro-ministro. “Segundo ouvimos na rádio, já havia um comunicado, já havia uma decisão do Governo”. É este comunicado que, segundo António Costa, não descreve na totalidade a medida do Governo. Mário Nogueira assumiu esperar agora pelo decreto-lei para explorar melhor a proposta.

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