Impostos elevados e falta de qualificações estão a dificultar a produtividade das empresas portuguesas

Problemas de produtividade, de capital e de competitividade, aliados à falta de qualificação e aos impostos elevados, estão na origem dos entraves ao crescimento das empresas em Portugal.

As empresas portuguesas enfrentam grandes desafios e problemas, principalmente ao nível da produtividade, que ainda não atingiu os níveis desejados pela Confederação Empresarial de Portugal (CIP). Problemas de capital, de competitividade, de falta de qualificação e impostos elevados estão, também, a travar o crescimento.

Portugal tem “um problema de produtividade”, disse o economista Vítor Bento, durante a conferência promovida pela CIP, onde foram apresentadas algumas propostas para o Orçamento de Estado para 2019 (OE2019). “O stock de capital não sobe ao ritmo que é necessário e a produtividade não aumenta, devido ao insuficiente investimento”, acrescentou.

Mas, no que toca a atrair investimento para o país, o fiscalista Tiago Caiado Guerreiro levanta aquele que considera ser um grande obstáculo para as empresas portuguesas. “Não há nenhum país do mundo que tenha uma taxa de imposto tão elevada quanto a nossa“, afirma, acrescentando que “a taxa de imposto é absolutamente fundamental, pois trata-se do marketing que atrai as empresas”.

Tiago Caiado Guerreiro fez parte do painel de debate da conferência promovida pela CIPPaula Nunes (ECO)

“Era muito importante que tivéssemos um OE amigo das pessoas e das empresas. É que, muitas vezes, as empresas sentem que é uma verdadeira caça aos empresários”, disse Óscar Gaspar, vice-presidente do conselho estratégico nacional da saúde da CIP.

Falta de capital. Problema de competitividade

A baixa produtividade de Portugal está, também, relacionada com os “problemas de capital” que o país enfrenta. Óscar Gaspar alerta para a necessidade de olhar para a área do financiamento.

Além disso, existe outro problema nacional ao nível da competitividade. Apesar do crescimento económico em Portugal ter acelerado em 2017 para 2,7%, ultrapassando pela primeira vez, desde 2009, a média da União Europeia, “se o país não está, hoje, capacitado para crescer mais do que estes 2,7%, temos um grave problema daqui para a frente”, afirma Óscar Gaspar. “Mais ano menos ano, estamos sujeitos a uma crise adicional”.

Para o presidente da CIP, António Saraiva, o conjunto de propostas apresentadas esta terça-feira tem precisamente o objetivo de tornar Portugal um pais mais atrativos e competitivo, mas a nível duradouro, um crescimento assente em bases estáveis.

O economista João Costa Pinto, durante o debate.Paula Nunes (ECO)

“É evidente que é importante que as empresas aumentem os seus capitais, mas, hoje, as empresas conseguirem ter uma estrutura financeira equilibrada é muito mais do que isso”, referiu o economista João Costa Pinto.

País da UE com mais empregados sem o 12.º ano

No que toca aos números do desemprego, Óscar Gaspar fez questão de referir que o último valor registado no país, 6,8%. “Um número espetacular e que muda tudo”, disse. “Significa que as empresas estiveram a fazer o seu trabalho, a investir e a criar emprego”.

No entanto, se olharmos para o cenário do ponto de vista das qualificações dos trabalhadores portugueses, concluí-se que Portugal enfrenta, de novo, um obstáculo. É o país da União Europeia (UE) que apresenta a percentagem mais elevada de população empregada que não completou o 12.º ano.

O mercado de trabalho é, para Óscar Gaspar, uma das maiores preocupações dos empresários, que sentem “que faltam trabalhadores qualificados“. “É preciso encontrar soluções e uma das que a CIP lança é que sejam as empresas a dar formação qualificada”.

Bloqueios ao crescimento e à produtividade

Para João Costa Pinto, é preciso começar a “romper os bloqueios que têm travado o crescimento e o aumento da produtividade”.

Entre todos os entraves, o economista destaca um, que considera que se tem vindo a acentuar negativamente. “O lado do sistema de financiamento das empresas, que é o papel dos bancos. O mercado financeiro é o sistema bancário, que sofreu um golpe fortíssimo e, diria até desnecessário, na altura da troika. Hoje, este setor ainda está enfraquecido e está a repetir erros antigos”, disse.

Da esquerda para a direita: António Costa, João Costa Pinto, Óscar Gaspar, Tiago Caiado Guerreiro e Vítor BentoPaula Nunes (ECO)

Para o Orçamento de Estado para 2019, o economista Vítor Bento considera que há três metas prioritárias que deveriam ser garantidas. Em primeiro lugar, resolver os atrasos de pagamentos, em segundo a retenção dos lucros para a capitalização e, por último, garantir a estabilidade fiscal. “Se estas três metas fossem conseguidas este ano, já era um progresso notável”, disse.

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