Mesmo com travão do Banco de Portugal, crédito da casa superou os 900 milhões em julho

Em julho, o primeiro mês em que se aplicou os limites à concessão de crédito do Banco de Portugal, os bancos disponibilizaram 919 milhões de euros em empréstimos para a compra de casa.

No mês da entrada em vigor das recomendações do Banco de Portugal com vista a limitar a concessão do crédito às famílias, os efeitos da medida não parecem ainda estar a ter muito efeito. Em julho, houve uma quebra ligeira face ao verificado no mês anterior nos níveis de concessão de crédito para a compra de casa, mas o montante disponibilizado pelos bancos manteve-se acima da fasquia dos 900 milhões de euros.

As estatísticas divulgadas pelo Banco de Portugal, nesta terça-feira, mostram que em julho, as instituições financeiras concederam 919 milhões de euros em empréstimos para a compra de habitação. Este valor representa uma diminuição de 71 milhões face aos 990 milhões registados em junho — o valor mais elevado em mais de oito anos –, mas é o segundo mais alto do ano. Face ao ao mesmo mês do ano passado, o nível de concessão registado no último mês de julho corresponde a um crescimento de 34,8%. Em julho de 2017 os bancos concederam 682 milhões de euros em crédito à habitação.

Esta evolução conduziu a um novo aumento do stock do crédito à habitação, em julho. O saldo na carteira dos bancos ascendeu a 92.857 milhões de euros, nesse mês, um máximo desde março.

Concessão de crédito no último ano

Fonte: Banco de Portugal

No crédito ao consumo, outro dos alvos das recomendações da entidade liderada por Carlos Costa, em julho, também foi observada uma diminuição dos níveis de concessão em linha com o crédito para a compra de casa. As instituições financeiras concederam 387 milhões de euros. Trata-se de uma diminuição de 32 milhões face aos 419 milhões de euros disponibilizados em junho. Mas representa ainda um aumento de 17,6% quando comparado com os níveis de concessão verificados um ano antes.

A categoria de empréstimos com outros fins, é a única que ao longo dos últimos meses tem sinalizado uma quebra. Em julho, a tendência manteve-se. Foram concedidos 143 milhões de euros nesta finalidade de crédito, menos três milhões face aos 146 milhões verificados em julho. Comparativamente com o mesmo mês do ano passado, a quebra é de 24%. Em julho de 2017, tinha ascendido a 162 milhões.

Considerando estes três segmentos, em julho, os bancos emprestaram 1.449 milhões de euros às famílias. Ou seja, menos 106 milhões face aos 1.555 milhões de euros concedidos um mês antes, mas mais 276 milhões quando comparado com o mesmo mês do ano passado.

Em resultado dessa evolução, o stock dos empréstimos nas mãos das famílias portuguesas cresceu em julho, voltando a superar a fasquia dos 150 mil milhões de euros. Nesse mês, o saldo do crédito aos particulares ascendia a 115.076 milhões de euros, o valor mais alto desde maio do ano passado.

(Notícia atualizada às 12h10 com mais informação)

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