Nova subida do rating de Portugal? Pela S&P, só depois do Orçamento

Um ano depois de tirar Portugal do "lixo", a agência revisita o rating da dívida nacional. Mas não deverá mexer na notação. Na melhor das hipóteses, há uma melhoria do outlook.

Um ano após ser a primeira das grandes agências de notação financeira a retirar a dívida portuguesa de “lixo”, a Standard & Poor’s (S&P) revisita hoje a avaliação feita a Portugal. Impõe-se a questão: vai, ou não, voltar a subir o rating? Dificilmente o fará. A agência norte-americana deverá, acreditam os analistas, esperar para depois da divulgação do Orçamento do Estado para 2019 para decidir qual a próxima mexida. Mas pode sinalizar já que o país vai no bom sentido.

Apenas vemos uma pequena possibilidade de uma subida de rating amanhã [esta sexta-feira]”, começa por dizer Michael Leister, analista de dívida do Commerzbank, ao ECO. Apesar de notar os progressos de Portugal, tanto em termos de crescimento como de cumprimento das metas do défice, acredita que “a agência quererá esperar até que seja finalizada a proposta de Orçamento o Estado para 2019” para voltar a dar boas notícias ao país.

Apenas vemos uma pequena possibilidade de uma subida de rating amanhã [esta sexta-feira]. As perspetivas para o crescimento [da economia portuguesa] mantêm-se bastante positivas, mas a agência quererá esperar até que seja finalizada a proposta do Orçamento do Estado para 2019.

Michael Leister

Analista do Commerzbank

Caso assim seja, e a S&P deixe passar a oportunidade para rever a notação do país, só depois de 15 de outubro, data limite para a entrega da proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano na Assembleia da República, deverá acontecer uma melhoria da classificação por parte desta agência.

Filipe Silva, especialista de dívida do Banco Carregosa, também está pouco confiante quanto às novidades que a S&P possa trazer nesta avaliação. A acontecer algo, prefere apostar mais numa revisão em alta do outlook, abrindo a porta a uma subida do rating mais tarde. Desde 15 de setembro de 2017, que a S&P mantém a avaliação de Portugal em BBB-, com outlook “estável”.

Espero que o outlook fique entre ‘estável’ e ‘positivo’, mas não me parece que seja inequívoca uma melhoria no rating. Pode acontecer ou não”, defende Filipe Silva.

Espero que o outlook fique entre ‘estável’ e ‘positivo’, mas não me parece que seja inequívoca uma melhoria no rating. Pode acontecer ou não.

Filipe Silva

Analista de dívida do Banco Carregosa

A última vez que a S&P se pronunciou sobre o rating soberano português foi em março, não tendo feito qualquer alteração da sua avaliação. Na altura, a agência de notação financeira dizia que para haver uma subida de rating, Portugal teria de reduzir a dívida pública mais rapidamente (prevê que ascenda a 122,3% do PIB, este ano) ou conseguir melhorias mais significativas a nível do setor financeiro, procurando que os bancos acelerem a redução do malparado. E essa redução está a acontecer.

A agência reiterava a expectativa de “um crescimento económico forte” — a previsão atual é de um crescimento médio de 2% até 2021 — e a prossecução da “consolidação orçamental ao longo dos próximos dois anos”. As previsões da S&P para o défice apontam para 1,1%, este ano, de 0,8% em 2019, e 0,7% nos dois anos seguintes.

Bons sinais da economia

Apesar de não apostarem, para já, numa melhoria da classificação da dívida portuguesa por parte da S&P, os analistas salientam os progressos registados. Filipe Silva refere que “os dados sobre o desempenho da economia portuguesa têm sido favoráveis“, enquanto Michael Leister frisa que “as perspetivas de crescimento permanecem muito positivas”.

Os últimos dados mostram que a economia portuguesa acelerou no segundo trimestre, com o PIB a crescer 2,3% face ao mesmo período do ano passado. Ao nível do défice também se registam melhorias. Até julho, o défice das Administrações Públicas melhorou em 1.110 milhões de euros face ao período homólogo, com o Governo a ter como meta para 2018 a fasquia de 0,7% do PIB.

E a dívida? Os números mais recentes também ficam bem no retrato que as agências de rating possam fazer sobre o país. No final do segundo trimestre, a dívida pública representava 125,8% do PIB, abaixo dos 126,4% verificados no trimestre anterior, aproximando-se um pouco mais do rácio de 122,2% apontado pelo Governo para o final do ano.

Juros da dívida a dez anos abaixo dos 2%

Fonte: Reuters

Já no respeita aos juros da dívida, com impacto no custo do financiamento do país, os dados têm-se apresentado favoráveis. Portugal tem conseguido financiamento próximo de custos mínimos, com a taxa de juro a dez anos da dívida soberana nacional a manter-se abaixo dos 2%, apesar de um recente agravamento no seguimento da instabilidade relacionada com a guerra comercial e os sinais de alerta com origem em Itália.

Essa instabilidade é, aliás, uma das razões pelas quais Michael Leister também acredita que a S&P não subirá esta sexta-feira o rating português.

E as restantes agências?

Resta saber que interpretação destes dados farão a Moody’s, a Fitch e a DBRS que têm agendadas ainda para este ano novas avaliações do rating português. E se darão cumprimento às melhorias do rating “num futuro próximo” que podem colocar Portugal num “circulo virtuoso” recentemente antecipado por Klaus Regling.

Calendário de avaliações das agências

Fonte: Site do IGCP

Na conferência de imprensa no final da reunião informal de rentrée do Eurogrupo, a sete de setembro, o diretor do Mecanismo Europeu de Estabilidade considerou provável que as agências de notação financeira melhorassem ainda mais o rating do país “num futuro próximo”.

Também o Governo tem expectativa de que a notação atribuída à dívida soberana portuguesa venha a subir em breve, numa altura em que só a Moody’s mantém Portugal na categoria de “lixo”.

Ainda antes da apresentação da proposta do Orçamento do Estado será possível fazer o “tira-teimas”. A agência de notação financeira pronuncia-se a 12 de outubro sobre a avaliação que faz da dívida portuguesa. A mesma data foi escolhida pela DBRS, para revisitar o rating nacional. Para ter uma avaliação da Fitch será necessário esperar até 30 de novembro.

No que respeita à Moody’s, o especialista de dívida do Commerzbank confia que mais cedo ou mais tarde, vai acabar por permitir a Portugal fazer o pleno em termos de grau de investimento. “A dinâmica dos ratings mantém-se positiva. O nosso cenário base é de que a Moody’s acabará por atualizar Portugal para investment grade“, diz Michael Leister.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Nova subida do rating de Portugal? Pela S&P, só depois do Orçamento

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião