Cinco números da estreia louca da Farfetch em Nova Iorque

A Farfetch entrou com tudo na bolsa. Depois da euforia rumo ao mercado de capitais, a estreia foi uma loucura. As ações dispararam, o valor da empresa multiplicou-se e a fortuna de José Neves também.

Sucesso? É pouco. Foi uma loucura a estreia da Farfetch em bolsa. Com todas as atenções centradas na empresa fundada por José Neves, a entrada dos títulos da plataforma de venda de artigos de luxo foi de arromba. As ações dispararam face ao preço da oferta pública inicial (IPO, na sigla inglesa). Quanto? Quase 50%.

A escalada das ações da empresa com raízes portuguesas em terras do Tio Sam fez lembrar as primeiras sessões de gigantes norte-americanas, como o Facebook, o Snapchat, a Square ou a FitBit, só para nomear algumas. Correspondeu — e até superou — às expectativas criadas ainda na fase de intenções de compra de títulos, tão concorrida que fez disparar o valor dos 15 para 20 dólares.

E mesmo já nesse patamar, que avaliava a Farfetch em torno dos cinco mil milhões de dólares, os investidores compraram, compraram e compraram. Um reflexo das perspetivas entusiasmantes que o negócio online, especialmente o de luxo, parece apresentar para o futuro, apesar de no presente ainda não se traduzir em resultados positivos.

Veja, em cinco números, o primeiro dia da Farfetch em Wall Street:

Afinal, não foram 15, nem 17 ou 19. Foram 20 dólares

Depois de entregar o pedido de admissão à bolsa, a Farfetch acabou por revelar o intervalo de preços a que pretendia vender os títulos no IPO. Começou em 15 a 17 dólares, mas com o crescente apetite demonstrada pelos investidores, o intervalo de preços acabou por dar um salto. Passou dos 15 a 17 para 17 a 19 dólares. Mas não ficou por aqui.

No dia da entrada em bolsa, esse preço foi novamente revisto em alta. Acabou por ser fixado um valor de 20 dólares por ação, acima do valor máximo previsto, o que permitiu à empresa fundada por José Neves angariar 885 milhões de dólares com a entrada no mercado de capitais norte-americano.

53%. Subida máxima em bolsa

Apesar de ter entrado para a bolsa com um valor de referência de 20 dólares, já bem acima dos preços iniciais, os investidores não se assustaram. Prova disso foi a primeira cotação após a oficialização da admissão à negociação. Disparou 35%.

De 20 passou para os 27 dólares, mas não ficou por aí. Foi subindo, subindo, até chegar a um valor máximo de 30,60 dólares por ação, ou seja, uma valorização de 53% que faz lembrar IPO de gigantes norte-americanas como Facebook ou Twitter. No final do primeiro dia, o saldo não poderia ser melhor. As ações fecharam a valer 28,45 dólares, uma valorização de 42,25%.

Farfetch ganha 2.500 milhões

A escalada em bolsa catapultou o valor da Farfetch. Se antes da entrada no mercado de capitais a avaliação feita à plataforma de venda de artigos de luxo se cifrava já em 1.500 milhões, após as sucessivas rondas de financiamento, com os 20 dólares definidos para o IPO, a capitalização da empresa fundada por José Neves disparou para 5.705 milhões de dólares.

E na estreia, o valor engordou ainda mais. Numa só sessão, a primeira da Farfetch em Wall Street, o valor de mercado da empresa aumentou em 2.581 milhões de dólares.

8.300 milhões. É o dobro do BCP

De 1.500 para 5.700, até aos 8.287 milhões de dólares. Uma valorização meteórica que não levou a avaliação da Farfetch até à estratosfera — numa altura em que existem empresas no mercado com capitalizações bolsista de mais de um bilião, casos da Apple e da Amazon –, mas que fez da empresa portuguesa uma gigante para a realidade do mercado de capitais nacional.

Comparando com outras cotadas da bolsa de Lisboa, a Farfetch apresenta uma capitalização bolsista muito próxima da avaliação atribuída pelos investidores à EDP Renováveis (7,3 mil milhões de euros), valendo quase duas vezes mais do que o BCP (avaliado em 3,8 mil milhões de euros). Em euros, tendo em conta que a moeda única está a 1,1744 dólares, a empresa tem um valor de mercado de 7.056 milhões de euros.

José Neves entra no clube. Vale 1.245 milhões

José Neves figurou este ano na lista dos portugueses mais ricos, no ranking divulgado pela Forbes Portugal. De acordo com a publicação, entre as 10 maiores fortunas de Portugal somam-se 18 mil milhões da riqueza nacional, sendo as famílias Amorim, Soares dos Santos e Azevedo as primeiras da lista.

José Neves, CEO da Farfetch.Paula Nunes/ECO

Neves aparecia em nono lugar com uma fortuna estimada de 689 milhões, considerando os ativos da Farfetch. Essa estimativa batia certo com o valor inicialmente apontado para as ações da Farfetch no IPO, entre 15 e 17 dólares, mas com as sucessivas revisões do valor, a fortuna foi ficando cada vez maior.

Se aos 20 dólares o número ia já nos 857 milhões, com a primeira sessão em bolsa concluída, esse valor disparou para os 1.245 milhões de dólares. Ou seja, Neves passou a figurar no clube dos multimilionários.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Cinco números da estreia louca da Farfetch em Nova Iorque

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião