Taxistas acusam ministro do Ambiente de lhes atirar “areia para os olhos”

  • Lusa
  • 25 Setembro 2018

João Pedro Matos Fernandes disse esta terça-feira que estava disponível para discutir a modernização do setor, e que a lei que regula as plataformas foi "aprovada por larguíssima maioria".

Um representante dos taxistas que há uma semana estão em protesto em Faro acusou esta terça-feira o ministro do Ambiente de estar a atirar-lhes “areia para os olhos” ao dizer que está disponível para discutir a modernização do setor.

“O ministro do Ambiente está a atirar-nos areia para os olhos, os táxis nunca pediram modernização, temos carros com equipamentos sofisticados e faturação certificada, tudo pago por nós”, disse à Lusa Romão Alves, delegado regional de Faro da Federação Portuguesa do Táxi.

João Pedro Matos Fernandes manifestou esta terça-feira disponibilidade para discutir a modernização do setor, mas reiterou que “nenhuma classe profissional” tem poder para inibir uma lei da República, como a que regula as plataformas eletrónicas de transporte.

Romão Alves sublinhou que os taxistas “não querem modernização”, mas sim que a lei estabeleça “equidade” entre o setor e as plataformas e que possam ser os municípios a assumir integralmente a definição dos contingentes, uma vez que “a mobilidade é uma questão que também preocupa as autarquias”.

Este é o sétimo dia em os taxistas mantêm protestos em Lisboa, Porto e Faro, com centenas de carros parados contra a lei que regula a Uber, Cabify e outras plataformas eletrónicas que, considerou João Pedro Matos Fernandes, são “uma atividade económica banal” e não tem vantagens de que desfrutam os táxis.

De acordo com o ministro do Ambiente, a lei que regula as plataformas foi “aprovada por larguíssima maioria e andou dois anos a ser trabalhada”, mas os taxistas só pediram uma reunião quando a lei já estava no parlamento e “não se discute com o Governo uma lei que está na Assembleia da República”.

No Algarve, os taxistas mantêm-se firmes junto ao aeroporto de Faro e ponderam juntar-se, em conjunto com os profissionais do Porto, ao protesto em Lisboa, na quarta-feira, na Assembleia das República.

Desde quarta-feira que um grupo de cerca de 200 taxistas se mantém junto aos carros, que ocupam duas faixas de rodagem da Estrada Nacional 125/10, perto da rotunda de acesso ao aeroporto de Faro.

Na segunda-feira, as associações que representam os taxistas foram recebidas por um assessor de António Costa, mas para o presidente da Federação Portuguesa do Táxi, Carlos Ramos, o encontro foi “uma manobra de diversão”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Taxistas acusam ministro do Ambiente de lhes atirar “areia para os olhos”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião