Fed sobe juros pela terceira vez. Taxa diretora fixada no intervalo entre 2% e 2,25%.

A Reserva Federal norte-americana aumentou os juros pela terceira vez este ano. A subida de 25 pontos base, já antecipada pelos economistas, fixa o intervalo da taxa diretora entre 2% e 2,25%.

Crescimento económico, inflação controlada e mercado de trabalho robusto levaram a Reserva Federal norte-americana a subir a taxa diretora pela terceira vez este ano. O aumento de 25 pontos base, já antecipado pelos economistas, fixa o intervalo dos juros entre 2% e 2,25%.

Terminou esta quarta-feira a reunião de dois dias do banco central norte-americano, que ajusta as taxas que os bancos cobram para empréstimos entre si, e que chegam depois aos consumidores. A última subida foi em junho, de 25 pontos base, quando atingiu os 2%. O presidente da Fed, Jerome Powell, já tinha indicado que o banco central deveria continuar a aumentar as taxas de juro, se o crescimento económico dos Estados Unidos se mostrasse forte.

Em conjunto com esta medida a Fed sinalizou o fim da política monetária “expansionista”, ao retirar esta referência do comunicado. O crescimento económico, os baixos níveis de desemprego e as perspetivas de inflação motivaram esta decisão. Recorde-se que, em agosto, a Reserva Federal norte-americana deixou inalteradas as taxas de juro de referência no intervalo entre 1,75% e 2,00%.

São ainda esperadas mais subidas da taxa, uma este ano, em dezembro, três em 2019 e uma em 2020. Estes aumentos podem fazer a taxa chegar aos 3,4%, ou seja, meio ponto percentual acima do que é considerada uma taxa de juro “neutral”, isto é, quando não estimula nem restringe a atividade económica.

A Fed prevê que a economia cresça mais depressa do que o esperado este ano (3,1%), e a expectativa é de que os Estados Unidos continuem a crescer a ritmo moderado, pelo menos durante mais três anos. A instituição antecipa um crescimento de 2,5%, que deverá abrandar para 2% em 2020 e 1,8% em 2021, à medida que o impacto do corte de impostos e do aumento da despesa pública se vai desvanecendo.

Este desempenho permitirá que desemprego permaneça num nível baixo, ainda que a taxa de inflação se mantenha dentro dos limites confortáveis para a Fed. A instituição liderada por Powell prevê uma taxa de inflação de 2,1% para este ano, um valor que se deverá manter nos anos seguintes. A Reserva Federal espera ainda que a taxa de desemprego caia para 3,1% em 2019 e 2020, devendo depois subir ligeiramente em 2021. Presentemente, a taxa é de 3,9%.

Impacto da guerra comercial ainda não é visível

As ameaças de uma guerra comercial não afetaram significativamente as projeções do banco central dos Estados Unidos. O impacto das tarifas no desempenho agregado da economia é “relativamente pequeno”, mas a Fed está preocupada com “a perda de confiança das empresas e com a reação dos mercados financeiros”.

Powell não está seguro sobre os efeitos do aumento das tarifas. “Se a longo prazo levarem a um comércio mais justo e a tarifas mais baixas isso é positivo, mas se resultarem numa disseminação de taxas alfandegárias e num aumento do protecionismo é mau para a economia dos Estados Unidos”, aponta numa conferência de imprensa após a reunião.

O presidente da Reserva Federal norte-americana indica três riscos que poderiam levar a uma subida mais rápida dos juros em 2019: se a inflação disparar, um cenário que não está na previsão do banco central, uma correção mais agressiva dos mercados financeiros, ou um abrandamento da economia.

Powell garante que a Fed vai “sempre ajustar a política monetária às condições no terreno”, mas por agora, é “difícil saber as consequências últimas da política orçamental” no próximo ano. Logo depois do anúncio da Fed, os mercados reagiram positivamente, o S&P 500 subia 0,46%, o Dow Jones via ganhos de 0,36% e as yields das obrigações do tesouro norte-americano a dez anos inicialmente desceram mas depois aumentaram para 3,08%.

(Notícia atualizada às 20h08)

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