FMI pressiona Governo a rever PIB em baixa no OE para 2019

A seis dias da entrega do Orçamento, o Executivo é pressionado a assumir que a economia vai abrandar em 2019. FMI está mais pessimista quanto às contas externas este ano e no próximo.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia portuguesa cresça 1,8% em 2019. A projeção já não é nova, mas é reafirmada pela instituição no World Economic Outlook, divulgado esta terça-feira, e representa um abrandamento da atividade económica face a este ano. O recado chega a Portugal a seis dias da entrega do Orçamento do Estado no Parlamento e numa altura em que o Governo fecha com os parceiros políticos novas medidas para aumentar os rendimentos das famílias.

Em abril, quando apresentou o Programa de Estabilidade, o Governo projetou uma subida do PIB de 2,3% este ano, esperando que, em 2019, o crescimento seja igual. Ou seja, a economia não acelerava mas também não travava.

Já por essa altura, o FMI apontava para um abrandamento da atividade económica em 2019, ao projetar um crescimento do PIB de 1,8%. De lá para cá, foram várias as instituições a apontar no mesmo sentido, na sequência de uma degradação da conjuntura externa. No Terreiro do Paço, a margem para não assumir uma travagem económica no último ano da legislatura é cada vez menor.

No World Economic Outlook, o FMI apresenta também previsões para 2023, exatamente o último ano da legislatura que começa em 2019. Para esse ano, a instituição liderada por Christine Lagarde prevê um crescimento do PIB de 1,4% — metade do crescimento económico observado em 2017, quando a economia cresceu ao nível mais alto desde 2000. Para 2022 — um ano antes –, o Executivo espera uma subida do PIB de 2,1%.

2019: o regresso aos défices na balança corrente

Com a economia a perder gás, o Fundo mostra-se mais pessimista quanto à evolução da balança corrente — que mede a diferença entre exportações e importações de bens e serviços e entre o que se paga e recebe em rendimentos de quem trabalha e investe, bem como nas remessas de emigrantes.

Nas últimas previsões, o Fundo apontava para um excedente na balança corrente este ano de 0,2% do PIB e um regresso a terreno negativo em 2019 com um défice de 0,1% do PIB. Agora, o FMI piora estas previsões. O saldo deste ano será nulo e o défice previsto para 2019 agrava-se para 0,3% do PIB. Para cada um dos anos, o Governo previa em abril um excedente de 0,7% do PIB.

A confirmarem-se estas expectativas, 2019 será assim o ano do regresso aos défices da balança corrente depois de seis anos de interrupção.

Apesar do abrandamento económico e do agravamento nas contas externas, o mercado e trabalho deverá continuar a apresentar melhorias. O FMI espera que a taxa de desemprego baixe para 6,7% em 2019, depois de este ano chegar aos 7%. Para 2018, o Fundo mostra-se mais otimista, já que nas projeções anteriores apontava para uma taxa de desemprego de 7,3%.

Em ambos os casos, o FMI mostra-se mais confiante do que o Governo que em abril indicava que a taxa de desemprego seria de 7,6% este ano e 7,2% em 2019. Uma boa notícia a seis dias da entrega do último OE da legislatura.

O Fundo manteve as previsões de inflação em 1,7% e 1,6% este ano e no próximo, admitindo assim pressões inflacionistas mais acentuadas do que as do Governo (que em abril apontava para 1,4% em cada um dos anos).

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

FMI pressiona Governo a rever PIB em baixa no OE para 2019

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião