Sete anos, três meses e dois dias depois, Portugal deixa de ser “lixo” nas três grandes agências de rating

Depois da Standard & Poor's e da Fitch, foi a vez de a Moody's atribuir uma classificação de investimento à dívida nacional. Saiu de "lixo" nas três grandes agências de rating.

Depois da Standard & Poor’s e da Fitch, foi a vez de a Moody’s atribuir uma classificação de investimento à dívida nacional. Subiu em um nível a notação do país, o suficiente para que o rating da dívida portuguesa abandonasse a categoria de “lixo” financeiro naquela que é a mais maldisposta das agências.

Foram precisos sete anos, três meses e dois dias para que o país voltasse a contar com rating de qualidade junto das três grandes agências de notação financeira, sendo que perante a DBRS os títulos de dívida nacional há muito que gozavam desse selo de garantia para os investidores.

Foi em julho de 2011 que a Moody’s retirou a Portugal o rating de qualidade, numa altura em que o país tinha já avançado com o pedido de assistência financeira. Foi em abril desse ano que José Sócrates, com Teixeira dos Santos a seu lado, anunciou que Portugal iria ser alvo de um resgate no valor de 78 mil milhões de euros.

Depois desse pedido, e perante sucessivos cortes de rating, que atiraram os juros da dívida nacional para níveis recorde — chegaram apresentar taxas de dois dígitos a dez anos –, foi a vez da Fitch atirar o país para o “lixo”, em novembro de 2011. A S&P só o fez já em janeiro de 2012.

A S&P foi a última a tirar a nota de qualidade a Portugal, mas foi a primeira a devolvê-la. Foi há mais de um ano, em setembro de 2017, que a agência surpreendeu ao elevar o rating sem antes colocar a perspetiva em “positivo”, movimento que acabou por ser seguido pela Fitch já em dezembro.

Se a S&P foi a última a baixar a notação, mas a primeira a subi-lo, a Moody’s surge no extremo oposto. Foi a primeira a atirar o país para o “lixo”, sendo agora a última a permitir que o país possa fazer o pleno entre as grandes agências, num contexto de crescimento económico, de défice baixo e de redução da dívida.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Sete anos, três meses e dois dias depois, Portugal deixa de ser “lixo” nas três grandes agências de rating

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião