Fundada no século XIX, cadeia de retalho norte-americana Sears declara falência

Pressionada pelo crescente concorrente - o comércio online - e pela dívida que tinha, a Sears declarou falência. A gigante de retalho não apresentava lucros desde 2010.

A gigante de retalho norte-americana Sears declarou falência na madrugada desta segunda-feira, avança o The New York Times (acesso condicionado, conteúdo em inglês). O anúncio foi feito pela cadeia de retalho no mesmo dia em que deveria ter liquidado um pagamento de dívida no valor de 134 milhões de dólares, cerca de 115 milhões de euros.

O gestor de fundos de investimento Edward S. Lampert, responsável pela empresa, disse, em comunicado, que o plano que traçou para a Sears “não trouxe ainda os resultados” que esperava. Ainda assim, reforçou ter esperança de que o processo de falência possa ajudar a empresa a livrar-se das dívidas e a recuperar.

“À medida que nos aproximamos da época natalícia, as lojas da Sears e da Kmart [empresa que foi submetida a um processo de fusão com a Sears em 2005] continuarão abertas e os nossos dedicados funcionários estão prontos para servir os nossos membros e clientes”, afirmou Lampert no comunicado.

Ainda que Lampert tenha sido bastante otimista, a Sears anunciou, também, que, até ao final do ano, irá fechar pelo menos 142 lojas, além das 46 cujo encerramento já estava decidido.

Só na última década, a norte-americana eliminou 200 mil postos de trabalho. Ao mesmo tempo, enfrentava a competição — cada vez maior — por parte dos gigantes de comércio online, como é a Amazon, e a dívida crescente. A gestão de Lampert, cuja estratégia passou, ao longos dos últimos anos, pela venda de várias marcas e partes da empresas, tem sido várias vezes questionada. Desde 2010 que a empresa não registava lucros, e desde esse ano as suas vendas caíram cerca de 60%.

Fundada no século XIX, após o fim da Guerra Civil americana, a Sears, Roebuck & Company começou por vender para todo o país por catálogo e rapidamente se expandiu para várias lojas físicas. Roupa, joias, eletrodomésticos ou até mesmo automóveis, era possível comprar produtos de todo o tipo neste estabelecimento, que rapidamente se tornou um símbolo da prosperidade económica.

No entanto, para Craig Johnson, presidente da consultora Customer Growth Partner, o grande problema da Sears foi ter deixado de inovar. “Quando se está no negócio do comércio a retalho, tudo gira à volta da novidade. Mas a Sears deixou de inovar”, disse, acrescentando que esta segunda-feira “é um dia triste para o retalho americano”.

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