Montijo: Estudo de impacte ambiental é “confuso, genérico e com lacunas”

  • ECO
  • 22 Outubro 2018

Está em curso um segundo estudo de impacte ambiental do aeroporto do Montijo, depois de o primeiro ter sido chumbado pela comissão de avaliação, revela uma investigação da SIC.

A 1 de outubro, António Costa disse que o aeroporto do Montijo estava preso pelo estudo de impacte ambiental. De acordo com uma investigação da SIC, trata-se do segundo estudo que é feito para perceber o impacto ambiental que a construção deste aeroporto terá na zona envolvente, e tudo porque o primeiro foi classificado de “confuso, genérico e com lacunas” pela respetiva comissão de avaliação.

As conclusões do primeiro estudo de impacte ambiental no Estuário do Tejo mostram “desconformidade” na opinião da comissão de avaliação, que afirma ainda que este não tinha condições para ser colocado em consulta pública. Os fundamentos apresentados pela ANA Aeroportos para justificar a construção deste aeroporto foram recusados, entre outros motivos, porque o trabalho não mede os impactos do movimento dos aviões sobre as aves do estuário nem faz qualquer avaliação sobre a mortalidade das espécies, revela a SIC.

A comissão de avaliação garante ainda que as conclusões sobre o risco de impacto das aves nos aviões — únicas referidas no estudo –, não estão fundamentadas e explica que faltam na análise muitos elementos decisivos que, se existissem, poderiam alterar por completo as conclusões sobre o impacto do aeroporto do Montijo.

Os especialistas nomeados para acompanhar o estudo alertam para a falta de consistência do documento, afirmando que muito ficou por estudar. Após esta avaliação, a ANA aceitou ser necessário aprofundar mais o estudo, reconhecendo a sua falta de qualidade. Prometeu, assim, uma versão mais completa e com mais ponderação, diz a SIC.

Para além disso, a comissão diz que também não foi medido o impacto da extensão da pista sobre o rio nem das obras que serão necessárias realizar para construir o aeroporto. A União Europeia (UE) disse que, há cerca de um ano e meio, alertou o Governo para a sensibilidade do local e exigiu um estudo dos impactos nas várias fases do projeto, mostrando interesse em acompanhar de perto todos os estudos.

A comissão de avaliação classificou o estudo de “confuso, genérico e com lacunas“. Agora, está em curso um segundo estudo de impacto ambiental, sendo necessário recomeçar tudo desde o início.

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