Estes portugueses estão a tornar as paredes mais verdes

  • ECO
  • 31 Outubro 2018

Grupo de investigadores em Portugal tenta modificar argamassas convencionais para aumentar a biorecetividade a organismos vivos e transformá-las em substrato para o desenvolvimento de vegetação.

 

Eco fachada num edifício em Londres.

As fachadas verdes no edifícios não são apenas uma moda na arquitetura. Além do efeito estético, estas fachadas permitem compensar as chamadas “ilhas de calor”, com excesso de concentração de betão, alcatrão e solos impermeabilizados. Estas soluções sustentáveis permitem equilibrar a temperatura ao amenizar a radiação solar, além de diminuir a poluição em até 30% e reduzir o barulho externo.

Em Portugal há equipas a tentar aperfeiçoar estas soluções. Um grupo de investigadores, do Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade (ITeCons) da Universidade de Coimbra, está a desenvolver um novo tipo de argamassa, biorecetiva. Ou seja, modificar as argamassas convencionais para aumentar a biorecetividade a organismos vivos e transformá-las em substrato para o desenvolvimento de vegetação, explica o comunicado do consórcio INOV C 2020. Esta é “uma forma de responder ao desafio da construção sustentável”, porque a argamassa com musgos é uma “solução de revestimento verde que otimiza a sustentabilidade ambiental da fachada viva, no que diz respeito à eficiência energética, necessidade de manutenção e de irrigação”.

Esta inovação, no setor da construção sustentável, foi um dos 15 projetos que receberam uma Bolsa de Ignição financiada pelo INOV C 2020, um consórcio formado entre a Universidade de Coimbra, o Instituto Politécnico de Coimbra, o Instituto Politécnico de Leiria, o Instituto Politécnico de Tomar, o Instituto Pedro Nunes, o ITeCons, o SerQ, a ABAP, a Obitec e o TagusValley. Este projeto é cofinanciado pelo Centro 2020, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), que tem subjacente um investimento total de 1,62 milhões de euros, financiado pelo FEDER com 1,38 milhões. Além disso, o seu prazo de execução termina em abril do próximo ano.

“Este novo tipo de argamassa, biorecetiva e propícia ao crescimento de musgos, potencia a conceção de fachadas verdes mais simples, económicas e de baixa manutenção. O desenvolvimento da investigação científica trará vantagens do ponto de vista ambiental e ecológico, como a captação de CO2 e a redução de consumo energético devido ao melhor isolamento térmico dos edifícios, mas também ao nível económico e social, tratando-se de uma solução menos dispendiosa e mais acessível a um maior número de pessoas”, explica Maria Inês Santos, investigadora e porta-voz do projeto, citada no mesmo comunicado.

Diferentes tipos de musgos a utilizar nas fachadas dos prédios.

O projeto vai agora passar por uma fase de “conceção e formulação das argamassas biorecetivas ao crescimento de macroflora pioneira (como por exemplo musgos) e seleção das espécies de musgos mais adequadas”. Depois segue-se a “aplicação em modelos de paredes, fase na qual serão realizados ensaios mecânicos e físicos, bem como a avaliação de parâmetros fisiológicos necessários”.

As Bolsas de Ignição do programa INOV C 2020 foram atribuídas em julho de 2018 a quinze projetos de investigação científica com aplicabilidade comercial. Os projetos representam um investimento total de 150.000 mil euros, com um financiamento FEDER máximo de 8.500 euros por cada bolsa.

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