Sensores, bactérias e até corvinas recebem prémio de 45 mil euros

Já são conhecidas as grandes vencedoras da primeira edição do Blue Bio Value. Os portugueses e o holandês que subiram ao pódio trouxeram na bagagem sensores, bactérias e até corvinas.

A startup holandesa Hoekmine e as portuguesas Undersee e SEAentia foram as grandes vencedoras da primeira edição do programa de aceleração Blue Bio Value, promovido pela Fundação Oceano Azul e pela Fundação Calouste Gulbenkian. Depois de uma tarde de pitches, o júri considerou estas as melhores ideias para potencializar os recursos marinhos e atribuiu a cada projeto um voucher de 15 mil euros a ser usado na plataforma de serviços Blue Demo Network.

Final do Blue Bio Value aconteceu esta quarta-feira.ECO

Em conversa com o ECO, Tiago Cristóvão, da lusa Undersee, explica que a sua startup disponibiliza um sistema de monitorização da qualidade da água (temperatura, oxigénio, entre outros parâmetros) que envia em tempo real os dados em causa diretamente para o smartphone do cliente, simplificando e potencializando o processo implicado na aquicultura. De acordo com o responsável, a empresa está, neste momento, a tentar patentear essa ferramenta tecnológica.

Sobre o Blue Bio Value, Cristóvão diz que o programa “ultrapassou” todas as expectativas e permitiu não só ter acesso a uma extensa rede de mentores, mas também “sistematizar o negócio”. Além disso, este prémio, sublinha o conimbricense, traz “visibilidade” à empresa, num momento em que estão à procura de “novos clientes e investidores”.

Também do distrito de Coimbra veio o outro empreendedor lusitano que partilhou a distinção. João Rito, da SEAentia, conta ao ECO que a sua empresa está a trabalhar na “produção de alimentos sustentáveis”, em particular a corvina. “Queremos ser os primeiros a produzir corvina com recurso a aquicultura”, revela. Com o programa de aceleração da Oceano Azul e da Gulbenkian, Rito diz ter conquistado “mentoria, conhecimento e contactos” e acrescenta: “Estamos a levar muito”.

De Coimbra para a Holanda, Radi Hamidjaj, da Hoekmine, também subiu ao topo do pódio, esta quarta-feira. Surpreso com a distinção, Hamidjaj, diz entre risos ao ECO que ainda não tem planos para o dinheiro, mas antecipa que deverá ser usado para patentear o seu produto. E que produto é esse? Trata-se de uma nova forma de “pigmentação” não química com base em bactérias marinhas das quais resulta a cor estrutural. Ao contrário da cor química, esta não tem pigmentos, sendo apenas consequência de efeitos óticos superficiais.

O empreendedor especialista em microbiologia acredita que o seu produto poderá ser usado na coloração automóvel e têxtil, bem como na cosmética, embora, neste último caso, haja maior receio da parte do consumidor final, diz o holandês. “Não quereria usar bactérias como batom, não é?”, brinca.

Estes três grandes vencedores vão poder agora usar os seus vouchers para requisitar os serviços da Blue Demo Network, uma plataforma que fornece às startups todas as infraestruturas necessárias ao seu desenvolvimento, de água salgada a espaços de escritório, passando por laboratórios e conselhos legais. Este é, além disso, um serviço focado na aposta em ideias para a economia azul.

Inscrições para segundo edição no horizonte

Estavam 13 startups a concurso, nesta fase final.

O Blue Bio Value é um programa de aceleração lançado pela Fundação Oceano Azul e pela Fundação Calouste Gulbenkian que pretende apoiar projetos nas áreas da biotecnologia e bioeconomia. Neste âmbito e ao longo das três edições já planeadas, estas instituições comprometeram-se a investir um milhão de euros em ideias para aproveitar os recursos marinhos.

Na cerimónia desta quarta-feira, Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, aproveitou para anunciar que as inscrições para a segunda edição do programa deverão ser abertas já no primeiro trimestre do próximo ano. “Hoje celebramos o fim da fase da aceleração, mas os nossos esforços não acabam aqui”, afirmou a responsável.

A encerrar a tarde de empreendedorismo — que ficou marcada pelas tão diversas formas de transformação de algas apresentadas pelas 13 concorrentes — José Soares dos Santos, fundador e presidente da Fundação Oceano Azul notou: “Continuamos empenhados em desenvolver esta iniciativa”.

Soares dos Santos prometeu que a segunda edição será ainda “maior e melhor”, mas frisou que estes projetos pioneiros “nunca serão esquecidos”. Afinal, diz o responsável, é preciso ser “muito especial” para sair da zona de conforto e fazer de uma ideia realidade.

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