Movimento “coletes amarelos” chega a Bruxelas em confronto com polícia

  • Lusa
  • 30 Novembro 2018

Cerca de 300 a 500 manifestantes lançaram pedras, bolas de bilhar e latas, viraram um carro da polícia e incendiaram outro. As autoridades belgas ripostaram com canhões de água.

Manifestantes dos “coletes amarelos” entraram esta sexta-feira em confronto com a polícia, em Bruxelas, com lançamento de projéteis e pelo menos um carro incendiado de um lado e canhões de água do outro, segundo fonte oficial.

De acordo com declarações da porta-voz da polícia de Bruxelas-Ixelles, Ilse Van de Kerre, os manifestantes — entre 300 e 500 –, conforme a polícia ou a imprensa belga — entraram em confronto com as autoridades numa zona não longe da sede do Governo federal belga. Os manifestantes lançaram pedras, bolas de bilhar e latas, viraram um carro da polícia e incendiaram outro, sendo a coluna de fumo visível na zona de Schuman, o centro do “bairro europeu”.

As autoridades belgas ripostaram com canhões de água para fazer dispersar os manifestantes e interpelaram cerca de 60 pessoas que transportavam objetos proibidos, como facas e petardos. Os confrontos ocorreram cerca das 13h30 (12h30 de Lisboa) e a manifestação, que começou duas horas antes, paralisou o tráfego no centro de Bruxelas.

Os “coletes amarelos” tentaram por diversas vezes aproximarem-se de edifícios públicos, que estavam defendidos por cordões policiais e gritaram palavras de ordem contra o Governo liderado pelo liberal Charles Michel. A manifestação desta sexta-feira em Bruxelas terá sido convocada através das redes sociais.

O movimento dos “coletes amarelos” surgiu há duas semanas em França como protesto contra a subida dos impostos nos combustíveis e tinha já alastrado à região francófona belga da Valónia.

Governo francês falha tentativa de negociação

O Governo francês falhou esta sexta-feira uma tentativa de negociar com o movimento popular dos “coletes amarelos”, na véspera de mais um fim de semana de protesto contra as tarifas de combustíveis. A reunião do primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, com uma delegação de “coletes amarelos” resultou num fiasco, depois de apenas terem aparecido dois elementos daquele movimento popular, um dos quais saiu logo no início do encontro.

A tentativa surgiu numa altura em que várias forças políticas apelam a que o Governo francês dê um sinal de aproximação aos “coletes amarelos”. “Eu queria e repetidamente pedi para que esta conversa fosse filmada e transmitida em direto pelas televisões, mas isso foi recusado”, explicou hoje Jason Herbert, um dos oito representantes do movimento nomeados para o encontro, para justificar o falhanço da tentativa.

“Hoje, somos apenas dois, estamos debaixo de enorme pressão. E estou a falar de ameaças de agressão, verbal ou física. As nossas vidas estão em jogo”, disse Herbert, um dos líderes do movimento em Charente, que se deslocou para a reunião com o governo francês, em Paris. Herbert esclareceu que as pressões que tem sentido partem de outros “coletes amarelos” com atitudes radicais.

François de Rugy, o outro representante do movimento recebido por Édouard Philippe, entrou pela porta traseira do edifício governamental, sem passar pela Imprensa. O movimento de “coletes amarelos” nasceu espontaneamente num sinal de protesto contra a taxação de combustíveis em França.

As ações de contestação estão a causar grande embaraço ao Governo francês, tendo corrido mundo as imagens de confrontos entre manifestantes vestindo coletes amarelos e a polícia, no passado sábado, na emblemática avenida dos Campos Elíseos, em Paris. Este sábado, o perímetro da avenida ficará sob alta vigilância, aguardando-se novas manifestações, que serão controladas por um forte dispositivo policial.

(Notícia atualizada às 17h04 com falhanço das negociações em França)

Comentários ({{ total }})

Movimento “coletes amarelos” chega a Bruxelas em confronto com polícia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião