China: Marcelo admite “Uma Faixa, Uma Rota” no setor portuário português

  • Lusa
  • 3 Dezembro 2018

O presidente da República assume estas posições numa entrevista ao canal de televisão chinês internacional em língua inglesa, CGTN, transmitida na véspera do início da visita de Estado de Xi Jinping.

O Presidente da República admite que a iniciativa chinesaUma Faixa, Uma Rota“, de investimento em infraestruturas, “podia atravessar Portugal” num dos seus “principais portos”, mas defende que se deve “equilibrar o investimento estrangeiro”.

Marcelo Rebelo de Sousa assume estas posições numa entrevista ao canal de televisão chinês internacional em língua inglesa, CGTN, transmitida esta segunda-feira, na véspera do início da visita de Estado do Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, a Portugal, que decorrerá entre terça e quarta-feira.

Em relação à iniciativa “Nova Rota da Seda“, também conhecida como “Uma Faixa, Uma Rota”, o chefe de Estado considera: “Podia atravessar Portugal, entrando num dos nossos principais portos. Sim, podia acontecer. Ao mesmo tempo, podíamos ter lá outros investidores de outros países”.

“É possível que durante a visita do Presidente Xi a Portugal se venha a assinar o memorando de entendimento sobre este assunto? É. Estamos a negociar, estamos a trabalhar nisso. Portanto, é possível”, adianta.

Nesta entrevista de perto de meia hora, gravada no dia 12 de novembro no Palácio de Belém, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa considera que os investidores chineses de certa forma “anteciparam” a recuperação económica de Portugal, “essa é a lição dos factos”, e responde àqueles que dizem que “é de mais, que é quase uma invasão chinesa”, contrapondo: “Eu não vejo a questão assim”.

Quando olhamos para a nossa economia, temos setores-chave nas mãos de empresas portuguesas, claro, mas também de empresas europeias: transportes, comunicações, algumas infraestruturas cruciais, telecomunicações. E no setor bancário e noutras áreas temos uma presença europeia muito forte, muito forte. E também presença americana”, salienta, concluindo: “Eu penso que é bom para Portugal equilibrar o investimento estrangeiro”.

“Agora, olhamos para o futuro e queremos mais investimento”, afirma.

Neste contexto, o Presidente da República refere-se ao “principal projeto chinês, que atravessa o mundo”, a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, lançada em 2013, admitindo que “podia atravessar Portugal, a caminho da Europa, e podia ser útil para muitos, muitos países”, para a China, “mas também útil para a economia portuguesa”.

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, pode-se “tirar vantagem da posição estratégica que Portugal tem na Europa, na Europa ocidental, perto de outros continentes”.

No que respeita às relações económicas bilaterais, o chefe de Estado realça que Portugal também quer “estar mais na China”, com “empresas portuguesas lá, a trabalhar nas infraestruturas, na energia também, nos setores industrial, comercial, cultural”.

“Deve ser uma cooperação com dois sentidos, não somente com um sentido. Isso é muito importante para nós”, reforça.

Ainda dirigindo-se àqueles que “não compreendem” a recente entrada de investimento chinês em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa explica que “foi rápido porque a decisão de privatizar os setores foi tomada recentemente, por razões políticas, mas também devido à crise”.

“Por que não vieram vocês, sendo europeus, sendo americanos, sendo bem-vindos de todas as partes do mundo, sendo árabes?”, pergunta. Mas logo ressalva: “Alguns deles vieram, e felizmente a nossa economia está a receber bastante investimento europeu, investimento americano, investimento árabe, investimento de outros países asiáticos”.

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