Fidelidade fica com terrenos da antiga Feira Popular. Paga 273,9 milhões de euros

Os terrenos da antiga Feira Popular, em Entrecampos, têm finalmente novo dono. As três parcelas que estavam para venda foram compradas pela Fidelidade, que vai lá construir a nova sede.

Não foi à terceira, mas sim à quarta tentativa. Os terrenos da antiga Feira Popular, em Entrecampos, estão finalmente a ser vendidos pela Câmara de Lisboa em hasta pública. As únicas três propostas apresentadas foram aceites esta quarta-feira pelo júri. As três parcelas que estavam a ser licitadas foram compradas pela Fidelidade, por um valor bastante superior ao pedido.

De acordo com uma fonte próxima do processo contactada pelo ECO, as três parcelas foram vendidas à Fidelidade por um total de 273,9 milhões de euros, mais 85,5 milhões do que os 188,4 milhões de euros estipulados como valor base pela Câmara de Lisboa.

A licitação para a Parcela A, com uma área total de 11.356 metros quadrados, arrancou nos 46,1 milhões de euros, mas a área acabou por ser vendida por 83,1 milhões de euros. Esta zona será destinada a comércio e serviços, será ainda construído um parque de estacionamento privado, lê-se na apresentação do projeto.

Já a Parcela B, que compreende os lotes B1 e B2, foi vendida por um total de 155,4 milhões de euros. O lote B1 foi comprado por 88,3 milhões de euros, enquanto o B2 foi por 67,1 milhões de euros. Esta área, com 59.180 metros quadrados, vai incluir comércio e serviços, dois parques de estacionamento privado e um público e, finalmente, a habitação.

A terceira e última parcela, a Parcela C, correspondente a um terreno com 13.278 metros quadrados na Avenida Álvaro País, que prevê uma zona de serviços, um parque de estacionamento público e um privado foi vendida por 35,4 milhões de euros, cuja base de licitação estava nos 27,9 milhões de euros.

Projeto dos terrenos. Fonte: Câmara Municipal de Lisboa

“Na hasta pública realizada pela câmara de Lisboa, relativa à Operação Integrada de Entrecampos, foi adjudicado à Fidelidade todos os lotes que compunham a antiga Feira Popular, o que lhe permitirá não só impulsionar a construção da nova sede do Grupo em Lisboa, mas também participar num projeto imobiliário verdadeiramente inovador e transformador para a cidade, que definirá uma nova centralidade, com alta criação de valor e visibilidade internacional”, disse a Fidelidade esta quarta-feira, em comunicado.

Para esta venda apareceram três interessados: a Fidelidade, a Dragon Method e a MPEP — Properties Escritórios, uma subsidiária da espanhola Merlin Properties, que comprou em julho o Almada Fórum. Esta foi mais uma das muitas tentativas da Câmara de Lisboa para vender estes terrenos. A primeira tentativa aconteceu em 2015, mas sem sucesso uma vez que não houve interessados.

Desde então, só num espaço de um mês, a hasta pública foi adiada quatro vezes, com o objetivo de dar mais tempo aos candidatos para analisarem as propostas oferecidas. Durante todo este processo, o Ministério Público (MP) levantou dúvidas sobre o projeto de requalificação, tendo enumerado cinco questões: a percentagem de habitação que seria incluída, a figura de operação integrada, a unidade de execução, a edificabilidade de área da antiga Feira Popular e ainda a eventual ausência de um parecer da Autoridade Nacional de Aviação Civil.

Para estes terrenos, com 25 hectares, o projeto prevê a construção de 700 fogos de habitação com renda acessível e 279 fogos em regime de venda livre, lê-se na apresentação da CML. Será ainda construído um “centro de serviços de referência internacional”, “comércio de qualidade”, onde serão privilegiadas as lojas de rua, e vários edifícios sociais: três creches, um jardim-de-infância, uma unidade de cuidados continuados e um centro de dia. A isso somar-se-ão 2,5 hectares de zonas verdes.

(Notícia atualizada às 15h49 com correção do valor base estipulado pela CML)

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Fidelidade fica com terrenos da antiga Feira Popular. Paga 273,9 milhões de euros

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião