Governo britânico testa ‘no deal’ com paragem de 89 camiões

  • Guilherme Monteiro
  • 7 Janeiro 2019

Com o acordo do Brexit em risco de ser chumbado na Câmara dos Comuns, o Governo britânico levou a cabo um simulacro para prevenir o congestionamento de trânsito provocado pelo controlo de fronteiras.

O risco de chumbo do acordo negociado pelo Governo de Theresa May com a União Europeia, que vai ser votado no próximo dia 15 de janeiro, continua elevado e está a levar o Executivo a preparativos para um cenário de ‘no deal’. Ainda esta segunda-feira, em Kent, no sudeste do país, 89 camiões participaram num simulacro do Governo para evitar o congestionamento do trânsito em caso de um inevitável reforço de controlo nas fronteiras britânicas.

O Executivo reabriu o aeródromo desativado de Manston, perto da cidade de Ramsgate, no condado de Kent, local que pretende utilizar para o estacionamento de camiões e, assim, evitar provocar filas de trânsito. Vários estudos como do Imperial College London e das Autoestradas de Inglaterra concluíram que, por cada minuto extra de controlo alfandegário no Eurotúnel – que liga Folkestone (Inglaterra) a Calais (França) – em hora de ponta, a fila de veículos pode aumentar em 16 quilómetros na autoestrada M20, o principal ponto rodoviário entre o porto de Dover e os arredores de Londres. Nesta região passa diariamente cerca de dez mil camiões.

O simulacro envolveu a mobilização de colunas de camiões através da estrada A256 e, apesar do sucesso da operação, com o percurso a ser feito em cerca de uma hora, camionistas e oposição ao Governo mostraram-se descontentes.

Em declarações ao The Guardian, um camionista afirmou mesmo ter sido “uma perda de tempo” e que “fazer isto com 80 camiões não é testar o sistema”. Enfatizou ainda que “O trânsito aqui é moderado. Não será nada assim se houver um no deal”.

Uma associação comercial dedicada ao transporte rodoviário britânico, a Road Haulage Association, partilha das críticas ao garantir que “é impossível reproduzir, com 80 camiões, o efeito de ter um número potencial de seis mil camiões dentro e nos arredores de Kent e Manston. Os críticos podem olhar para isto com um exercício de fachada”, critica Rod McKenzie, diretor-geral na associação.

Já na Câmara dos Comuns, onde esta segunda-feira se voltou ao debate do Brexit, os deputados trabalhistas acusaram a simulação de “encenação” para forçar os parlamentares a escolher entre o acordo de Theresa May e uma saída do bloco europeu sem acordo. O líder da oposição, Jeremy Corbyn acusou mesmo a estratégia do Governo de “Projeto do Medo”.

O acordo do Brexit negociado entre Londres e a UE a 27 ficou fechado em novembro e era para ser votado a 11 de dezembro no Parlamento, mas a derrota quase certa levou a primeira-ministra a adiar a votação. Pretendia mais tempo para ganhar apoios parlamentares, mas também concessões por parte dos líderes europeus. A votação acontece no próximo dia 15 de janeiro, a chefe do executivo já avisou que o chumbo do documento atira o país para “território desconhecido”, rejeitando um segundo referendo.

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