Temperatura baixa, vendas sobem. Negócios que aquecem com o frio

Ares condicionados, antigripais e bebidas quentes são alguns dos negócios que mais beneficiam com o frio. O ECO foi saber como anda a faturação nestes dias em que os termómetros estão perto de zero.

O ano novo começou e o frio de inverno também já se faz sentir um pouco por todo o país. Durante esta semana, as temperaturas vão andar perto dos zero graus, sendo que, nalgumas zonas de Portugal, alcançam mesmo os graus negativos. De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), grande parte dos distritos de Portugal continental está sob aviso meteorológico, devido à persistência de valores baixos da temperatura mínima.

Mas, a diminuição nos termómetros faz com que as vendas de alguns setores do retalho aumentem. Ares condicionados e aparelhos de aquecimento, medicamentos e determinados tipos de vestuário e alimentação são alguns dos negócios que mais ficam a ganhar com a chegada do frio. Se, por um lado, os termómetros arrefecem, por outro, algumas empresas enriquecem.

Todos os caminhos vão dar às farmácias

As dores de garganta, constipações e gripes são especialmente comuns durante o inverno, sobretudo em dias de vagas de frio. Por isso mesmo, as farmácias tornam-se, muitas vezes, o primeiro recurso de quem começa a sentir algum sintoma. Com os anúncios publicitários de antigripais e xaropes para a tosse reforçados nas televisões e na imprensa, a vaga de frio também se reflete nas receitas das farmácias, “sobretudo a partir do meio de dezembro”, afirma Tânia Soares, farmacêutica da Farmácia Holon Torres Vedras.

Os antigripais, as pastilhas para a dor de garganta e os xaropes para a tosse são os produtos mais vendidos nesta época do ano. Ainda assim, quando os termómetros registam temperaturas especialmente baixas, os medicamentos não sujeitos a receita médica — como é o caso dos antigripais — dão lugar aos antibióticos.

“Em dias em que as temperaturas são muito baixas, o que acontece, na maioria das vezes, é que as pessoas recorrem logo ao hospital e, por isso, chegam aqui já com a receita de um antibiótico”, explica.

No último fim de semana, sentimos um aumento da afluência no serviço de urgência do hospital e isso repercute-se logo também na farmácia.

Sara Mesquita Costa

Diretora técnica da Farmácia Hospital Beatriz Ângelo

E que o diga a Farmácia Hospital Beatriz Ângelo, que, exatamente por estar instalada dentro de um hospital, já sentiu uma maior afluência. “No último fim de semana, sentimos um aumento da afluência no serviço de urgência do hospital e isso repercute-se logo também na farmácia”, refere Sara Mesquita Costa, diretora técnica da farmácia, que diz ter havido um aumento nas vendas de antigripais.

“Há bastantes mais pessoas a chegar à farmácia para levantar a sua medicação, seja por via das urgências ou através da Linha Saúde 24”, acrescenta.

Bendito frio

Já dentro das casas, o problema é como aquecê-las. Para o comércio, dias muito frios são, normalmente, sinónimo de aumento das vendas de ares condicionados e aquecedores. É o caso do El Corte Inglés que já sentiu um reflexo na faturação: “As vendas têm aumentado bastante nestes últimos dias, sobretudo desde que foi anunciada a vaga de frio”, diz Susana Santos, diretora de comunicação do El Corte Inglés em Portugal, ao ECO.

Sempre que há picos de temperatura, a procura de equipamentos de refrigeração e de aquecimento aumenta. Nesta época, a procura incide, sobretudo, nos equipamentos de aquecimento, embora muitos clientes optem pelos ares condicionados”, acrescenta.

Mas a lista de opções não é só feita de aquecedores e ares condicionados. “Registámos um aumento considerável na procura de produtos inovadores, mais eficazes e também mais ecológicos, como os ecoemissores, que proporcionam um grande conforto térmico em pouco tempo. E também por termoventiladores, que têm a dupla função de aquecimento e refrigeração e, nalguns casos, também têm a função de purificação do ar”, explica Susana Santos.

Na Worten, a tendência tem sido semelhante. As baixas temperaturas que se têm sentido por todo o país estão a fazer com que as vendas aumentem. “O valor das vendas registadas no total das categorias de aquecimento e ar condicionado, do dia 1 ao dia 5 de janeiro deste ano, foi o dobro do valor correspondente ao mesmo período de 2018”, afirma Alexandra Balão, relações públicas da empresa.

Na noite de terça-feira, às 22h00, a Worten lançou uma campanha em exclusivo na loja online com 20% de desconto direto e portes grátis em todas as categorias de aquecimento. A campanha está ativa até às 10h00 desta quarta-feira.

Já no Pingo Doce, o crescimento de vendas tem-se observado também nos chamados artigos de queima, como lenha e acendalhas. “As vendas estão a aumentar significativamente”, afirma fonte oficial do Pingo Doce, o que abre portas a um folheto temático para janeiro, dedicado ao “Conforto de inverno”.

Melhor amigo no calor, mas também no frio

Ainda assim, segundo as empresas de ares condicionados, estes aparelhos surgem, cada vez mais, como uma das opções dos portugueses para suportar as temperaturas baixas. “Nos últimos anos, a compra de sistemas de ar condicionado tem vindo a crescer no período de outono/inverno, contrariando o ciclo tradicional do mercado, em que a venda destes produtos estava, sobretudo, associada ao verão”, diz Vasco Horta Correia, Commercial & Marketing Manager da Mitsubishi Electric, ao ECO.

“Na Mitsubishi Electric temos vindo a registar um constante aumento das vendas nesta época do ano. Os últimos meses de 2018, por exemplo, tiverem um aumento considerável na procura”, acrescenta. Quanto aos últimos dias em específico, a empresa já registou “um bom ritmo de encomendas nos equipamentos de ar condicionado, tanto para casas familiares como para estabelecimentos comerciais, como hotelaria ou escritório. Ambos [doméstico e comercial] estão com uma forte procura”.

A venda de ares condicionados está muito mais regular no ano inteiro, não havendo tantas discrepâncias.

Ricardo Martins

Diretor da divisão de ar condicionado da Samsung

A Samsung partilha da mesma opinião, revelando que as pessoas já compram ares condicionados durante todo ano, em qualquer que seja a estação. “A venda de ares condicionados está muito mais regular no ano inteiro, não havendo tantas discrepâncias”, diz Ricardo Martins, diretor da divisão de ar condicionado da Samsung.

“A tendência é que as percentagens se aproximem”, acrescenta, apontando para 45% o volume de vendas no inverno de 2018 e para 55% o volume de vendas no verão do mesmo ano. O último ano foi, aliás, um ano recorde na Samsung a este nível.

Contudo, os dias de muito frio continuam a representar uma oportunidade para reforçar o negócio. “Quando se registam temperaturas muito baixas, aumenta a procura por parte do consumidor”. Até agora, a procura por ares condicionados tem sido continuada desde o princípio do quarto trimestre de 2018, momento em que se registou “um aumento significativo”.

No final do mês, uso de ares condicionados e aquecedores também se nota na fatura da eletricidade. Durante esta semana, as empresas de energia deverão registar um aumento no consumo de luz, uma tendência que se costuma verificar sempre que há vagas de frio, tal como de calor.

Há dois anos, também em janeiro, durante uma vaga de frio semelhante à que o país já está a registar, a Redes Energéticas Nacionais (REN) verificou que o consumo de energia elétrica aumentou 7%, posicionando-se nos 4.722.200 GWh.

Dos agasalhos às bebidas quentes

A loja Ovelha Negra admite que as lãs são um negócio sazonal, que fica sempre a ganhar quando chega o frio. “Este é um negócio muito mais lucrativo no inverno do que no verão”, refere uma fonte oficial da loja situada no Porto. Contudo, a relação entre as vendas e os picos de frio não é direta.

“Há muito mais negócio desde o início do outono, mas não é que se sinta um enorme aumento nas vendas quando faz mais frio. Isto porque fazer tricot ainda demora algum tempo. O pico que sentimos é, de uma maneira geral, em toda a época de inverno“, esclarece.

Sérgio Marques, da Parfois, afirma que “é clara a correspondência entre vendas dos produtos como cachecóis, gorros ou luvas e o tempo” que se faz sentir.

No retalho alimentar, a oferta é adaptada às temperaturas que os termómetros registam. Se, por um lado, o Jeronymo Café já colocou em destaque as saladas quentes, o Starbucks Coffee, por outro, apresentou um novo latte. Na Padaria Portuguesa, ainda que não se sinta um aumento no consumo das bebidas quentes, “o lançamento de novos artigos é sempre pensado e adaptado à época em questão”, refere uma fonte oficial da padaria.

E se o inverno traz mais chás quentes e cafés, nestes dias, os gelados, que tanto se vendem nos dias de calor, arrefecem nas montras. A pensar nisso mesmo, a Santini já tem uma nova estratégia. A empresa portuguesa está, agora, a apostar, sobretudo, nos produtos de pastelaria, como crespes ou tartes de amêndoa.

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