Ministra da Saúde diz que reivindicações dos enfermeiros custariam mais de 500 milhões de euros

  • Lusa
  • 17 Janeiro 2019

Em dia de reuniões com sindicatos de enfermeiros, a ministra da Saúde, Marta Temido, aponta que "o caminho que agora nos pedem vai para além dos 500 milhões de euros".

A ministra da Saúde revelou esta quinta-feira que as reivindicações dos enfermeiros, se fossem todas atendidas, custariam mais de 500 milhões de euros em efeitos remuneratórios, “um caminho” que Marta Temido considera que não é possível percorrer na totalidade.

Marta Temido esteve esta quinta-feira na reunião do grupo parlamentar do PS, na Assembleia da República, no mesmo dia em que o Governo e os sindicatos de enfermeiros retomam as negociações.

O caminho que nós já andamos é um caminho que importa 200 milhões de euros só para esta profissão. O caminho que agora nos pedem vai para além dos 500 milhões de euros em termos de efeito remuneratório se todas as reivindicações fossem atendidas”, contabilizou, acrescentando que “não é possível fazê-lo todo”.

Segundo a ministra da saúde, não é possível atender a todas as reivindicações “por várias razões”, a primeira das quais o facto de a primeira obrigação de quem governa ser “com a satisfação das necessidades dos cidadãos”. “A ministra da Saúde e o Governo não são nem ministra da Saúde dos profissionais de Saúde nem Governo apenas das reivindicações profissionais, têm que em primeira mão satisfazer o interesse público”, concretizou.

A necessidade de “garantir equidade entre o tratamento das várias profissões e sustentabilidade a longo prazo” são as outras razões apontadas por Marta Temido. “Não podemos fazer escolhas que ultrapassem essas balizas. Dentro destas balizas, muita disponibilidade para continuar a conversar, para nos aproximarmos, para fazer aquilo que os portugueses esperam de nós”, disse ainda.

Questionada sobre as reuniões desta quinta-feira de manhã, a ministra da Saúde escusou-se a falar do “conteúdo específico” das mesmas uma vez que para a tarde estão marcadas outras. “Só no final do dia poderemos dar nota sobre qual é a conclusão do posicionamento sobre estes temas”, remeteu.

Para Marta Temido, esta questão com os enfermeiros “não se trata de um braço de ferro, trata-se de um caminho que vem sendo prosseguido com grande esforço por parte do Governo no sentido de construir pontes mesmo quando, às vezes, elas se afiguraram difíceis”.

A ministra da Saúde fez questão de salientar algum do caminho já percorrido, como a reposição do período normal de 35 horas semanais, a reposição das remunerações e “outros aspetos vieram depois suscitados pelos profissionais” e ao quais o executivo procurou responder.

O Governo e os sindicatos de enfermeiros retomaram esta quinta-feira negociações, incluindo as duas estruturas sindicais que têm prevista uma nova greve de longa duração em blocos cirúrgicos em vários hospitais.

Na quarta-feira, os sindicatos dos enfermeiros assumiram que têm baixas expectativas para a reunião desta quinta-feira com o Governo e avisam que ou avançam efetivamente as negociações ou avança uma nova “greve cirúrgica” até ao final de fevereiro.

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