Paulo Macedo: “Interesse da CGD é clarificar e deixar para trás esta mancha de suspeição”

Paulo Macedo garantiu no Parlamento que a CGD vai entregar o relatório da auditoria da EY na íntegra assim que o Presidente da República promulgar a lei dos grandes devedores bancários.

Paulo Macedo entrega na Assembleia da República o relatório da EY sobre a CGD .Hugo Amaral/ECO 1 fevereiro, 2019

Paulo Macedo considera que as notícias em torno do relatório da auditoria da EY aos atos de gestão na Caixa Geral de Depósitos (CGD) entre 2000 e 2015 mancham a reputação e prejudicam o negócio do banco público. Disse que o interesse da instituição é de deixar tudo claro em relação ao assunto e de limpar a “mancha de suspeição” dos últimos dias.

“O interesse da instituição é de clarificar as coisas e de deixar esta mancha de suspeição dia-a-dia. Mas também há um dano nos colaboradores da Caixa e no seu negócio”, disse o presidente da CGD no Parlamento, após entregar em mão a Teresa Leal Coelho, presidente da Comissão do Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA) a versão final do relatório da auditoria com informação “truncada” para salvaguardar o sigilo bancário e profissional da instituição.

“Todos os dias, quando vou falar com clientes, os clientes o que me falam não é do negócio, não é do empréstimo, não é do seu património, não é da confiança, não é da segurança, isso afeta claramente a Caixa e a motivação dos seus colaboradores. Num banco que está a recuperar de seis anos de prejuízos obviamente que não é indiferente”, declarou ainda.

Para lá do interesse da instituição, Macedo diz que também está em cima da mesa o interesse público. E aí garantiu que vai submeter o relatório completo ao Parlamento assim que o Presidente da República promulgar a lei dos grandes devedores em incumprimento com os bancos que foram ajudados pelo Estado.

“Se a lei for nesse sentido, a Caixa vai cumprir exatamente o que a lei disser”, assegurou Paulo Macedo.

O Presidente da República já disse que vai promulgar a lei que permite ao Parlamento ter acesso à lista dos grandes devedores da banca que obteve ajuda pública desde 2007, algo que pode acontecer nos próximos dias dado que Marcelo Rebelo de Sousa referiu que acompanhou o processo legislativo com atenção. O diploma sobre acesso a informação bancária deverá ser remetido a Belém na terça-feira.

“Totalmente contra achar-se que todos que passaram na CGD são culpados”

Na mesma intervenção, o presidente do banco disse estar “totalmente contra achar-se que todas as pessoas que passaram pela Caixa são culpadas na praça pública”.

“De certeza que haverá más práticas, designadamente quando as vemos à luz de hoje. Haverá também erros em termos absolutos. Agora, tentar que qualquer pessoa que tenha passado pela Caixa sem que seja automaticamente culpada, tenha um cadastro, isso não é aceitável“, argumentou. “Tem de se apurar e de se fazer uma grande diferenciação sobre uma coisa e outra”, frisou de seguida.

Paulo Macedo também garantiu que a atual situação na CGD está totalmente escrutinada ao nível do que é a sua política de concessão de crédito. “O sistema está muitíssimo mais forte e com regras de governance totalmente distintas do que era prática ainda há quatro anos”, declarou.

“A Caixa e o seu crédito já foram escrutinados por todas as entidades possíveis e imaginárias, designadamente três auditores diferentes, além de todos os exercícios transversais à banca, além de vários nomes ter surgido desde 2011 em artigos de jornal e livros”, disse ainda.

(Notícia atualizada às 15h58)

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