Catarina Martins acusa CTT de manipularem dados

  • Lusa e ECO
  • 24 Fevereiro 2019

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acusa os CTT de mentirem. E diz que "a cada dia que passa, a cada mês que passa, a empresa está mais frágil".

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, disse, em Coimbra, que “a administração dos CTT tem vindo a manipular os dados” que divulga publicamente e a “mentir” ao regulador e às populações. “A cada dia que passa, a cada mês que passa, a empresa está mais frágil”, afirmou Catarina Martins, apesar dos CTT terem apresentado lucros em 2018. Enquanto pertenceu ao setor público, “deu lucros da ordem dos 60 milhões de euros por ano”, estando “presente em todo o território”, acrescenta. Em 2018, os lucros dos CTT caíram 28%, para 20 milhões de euros, especialmente por causa dos custos da reestruturação, mas operacionalmente, a empresa voltou a crescer.

A privatização dos CTT “está a permitir aos acionistas privados vampirizarem a empresa” e, “como diz o próprio regulador – a Anacom [Autoridade Nacional de Comunicações] – não estão a ser cumpridos os mínimos do serviço público a que a empresa estava obrigada”. O regulador não refere exatamente isso, mas impôs mais exigência nos critérios de qualidade para 2019 e 2020.

“Mais: sabemos que a administração dos CTT tem vindo a manipular os dados que traz a público e a mentir à população portuguesa e ao regulador”, salientou. “É uma situação grave que merece atuação”, defendeu a líder do Bloco de Esquerda (BE), que falava aos jornalistas hoje, em Coimbra, depois de ter participado numa reunião com trabalhadores da empresa CTT – Correios de Portugal.

Catarina Martins considerou, por outro lado, “errada” e “digna de registo” a decisão da Assembleia da República, que, na sexta-feira, rejeitou uma proposta do BE para que o Estado retome o controlo público” da empresa.

“Tendo havido autarcas de todos os partidos a contestar a atuação dos CTT e a defenderem a nacionalização da empresa, não deixa de ser um péssimo sinal que, no parlamento, PS, PSD e CDS tenham rejeitado o controlo público” da empresa, sustentou.

Autarcas de “todos os partidos, por todo o país”, têm “contestado a administração dos CTT, que tem fechado sucessivas estações de correio – já lá vão mais de 80” –, desde que a empresa foi privatizada e, “com isso, privado muitos concelhos” da necessária “ligação ao serviço público a que todas as populações devem ter direito”, frisou. Em entrevista ao ECO24, recorde-se, Francisco Lacerda garante, pelo contrário, que em 2018 aumentaram os postos dos CTT.

Do encontro deste domingo com trabalhadores dos CTT ficaram “duas certezas”. Uma é que “o serviço de correios é um serviço de futuro, é um serviço público, que representa a presença do Estado em todo o território, é essencial para a coesão social” e que, “independentemente das inovações tecnológicas, vai ser sempre necessário um serviço público que assegure a comunicação em todo o território para todas as gerações”.

A outra certeza saída da reunião é que o BE “reafirma o seu compromisso com os trabalhadores dos CTT e com toda a população portuguesa” de lutar pela “nacionalização dos Correios de Portugal”, assegurou Catarina Martins.

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