Expansão do Metro de Lisboa “apanha” estacionamento da Bragaparques

No meio de negociações para um divórcio milionário pelo controlo da Bragaparques, a expansão do Metro de Lisboa poderá obrigar ao resgate de um parque de estacionamento da empresa, em Santos.

Os sócios da Bragaparques, Domingos Névoa e Manuel Rodrigues, estão em vias de fechar um “acordo de divórcio” milionário, por um valor global em torno dos 210 milhões de euros, mas o negócio voltou a ser adiado, pela segunda vez, até meados de março e há agora um facto novo que pode trazer mais problemas à sua concretização, apurou o ECO junto de fontes que conhecem o dossiê: o Metropolitano de Lisboa vai expandir a rede de metro para a Estrela e para Santos, e isso poderá obrigar ao resgate de um dos parques mais relevantes da empresa, no largo Vitorino Damásio.

Oficialmente, a Metropolitano de Lisboa confirmou ao ECO que “contactou a empresa Bragaparques, não se encontrando, no entanto, em curso qualquer negociação no âmbito do plano de expansão de obras”. A Bragaparques, por seu lado, escusou-se a fazer quaisquer comentários sobre o caso, e também sobre o processo de compra da participação de Domingos Névoa por parte de Manuel Rodrigues.

Como o ECO revelou, Manuel Rodrigues deverá comprar a parte de Névoa, correspondente a 50% do capital, por 105 milhões de euros, financiado pelo Novo Banco. Depois, venderá os mesmos 50% ao Haitong Bank por cerca de 22 milhões de euros (já com um aumento relevante da dívida). O Novo Banco terá aceitado a margem libertada pelo negócio e, no prazo de um ano, a hipoteca dos próprios parques de estacionamento concessionados, embora no passado recente as câmaras municipais, os proprietários desses parques, não têm aceitado esta possibilidade. Além destes parques, estarão dados como garantia os parques que são propriedade da própria Bragaparques.

De acordo com as informações oficiais já conhecidas, a expansão do Metro de Lisboa resultará na construção de perto de dois quilómetros de linha, em túnel, e de duas novas estações, na Estrela e em Santos. E esta ficará localizada junto ao edifício do Batalhão dos Sapadores de Lisboa, na Avenida D. Carlos I. É precisamente aqui que pode surgir a necessidade de intervenção que toca no parque de estacionamento da Bragaparques. “A obra [do metro] só toca no parque ligeiramente”, diz outra fonte que conhece os detalhes do projeto do Metro de Lisboa. E admite que não seja necessário chegar a um resgate da concessão. Ainda assim, o facto é que a Bragaparques já terá feito saber ao Metro de Lisboa o valor que exige por uma eventual indemnização.

Outro obstáculo ao negócio, de qualquer forma, diz respeito a uma sociedade participada. A Bragaparques tem ainda uma participação na Aquapor, que ficará fora deste negócio, e será, aliás, a principal razão para o atraso no fecho do negócio, por causa de divergências passadas com outros acionistas, como o grupo DST. Já terá havido a prestação de uma garantia bancária de 21 milhões de euros para permitir que o negócio se faça. Agora, com uma nova data em cima da mesa.

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