Robots: Apocalipse ou redenção? O MAAT mostra

  • ECO
  • 1 Março 2019

Robôs de antes, os de hoje e os do futuro, em brinquedo ou saídos da cabeça de cientistas, encontram-se na Central Tejo do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia.

Nos anos 90, o canadiano Douglas Coupland mudou-se para Palo Alto, Califórnia para melhor entender a cultura daqueles que trabalhavam em empresas de Silicon Valley como a Microsoft. Dessa experiência nasceu o romance Inforscravos (1994, Teorema), sobre a relação dos seres humanos com a tecnologia. A partir do ano 2000, o artista retomou a carreira artística, mas manteve as preocupação. E em 2011 começaram a criar o que chama de Slogans para o século XXI, frases inspiradas pelas nossas vidas imersas em suportes digitais, que agora se podem ver na exposição Hello, Robot. Design Between Human and Machine, no MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia.

 

“Pessoas não criativas usam a palavra ‘robot’ como ferramenta para o assustar”. “Muitas pessoas não querem o progresso”. “Matar pessoas com drones é fazer batota”. “A ficção científica é agora apenas ficção”. Cartazes coloridos com estas frases dão o tom ao que se segue e que se pode resumir nesta pergunta: “Como é que nós interagimos e nos relacionamos com os robôs?”.

Começa na própria definição de robô: “Um aparelho artificial capaz de apreender o seu ambiente e de agir de forma determinada sobre ou nesse ambiente; uma inteligência artificial personificada; ou uma máquina capaz de desempenhar tarefas úteis de forma autónoma”, a partir da definição Alan Winfield, professor de Ética Robótica na Universidade de West England, Bristol.

“O que descobrimos é que o discurso é contraditório e ambivalente”, diz Amelie Klein na apresentação de Hello, Robot, inaugurada no Vitra Design Museum, Alemanha, em 2017. “Ou há excitação ou medo. A verdade é que é os dois. É o que nos guia por esta exposição. Há razões para estarmos entusiasmados, mas também preocupados”.

Esta é uma viagem em quatro partes, em mais de 200 peças de arte e design. “A primeira delineia o fascínio que sempre exerceram sobre as pessoas, e explora a forma como a cultura popular tem moldado a nossa perceção dos robôs”, diz o texto de apresentação. Em brinquedos ou os jogos de computador, nas criações do cinema ou da literatura – de R2-D2 do Star Wars, a Matrix, dos robôs de brincar que ganharam estatuto de peça vintage a Blade Runner. De Ghost in the Shell aos Jetsons.

Estando os robôs “por todas as partes”, como diz Thomas Geisler, também curador da exposição, aqui mostram-se os avanços da robótica no mundo do trabalho e da indústria, a forma como se integra no nosso quotidiano e, finalmente, “no esbater das fronteiras entre os humanos e os robôs”, de que falam as fotografias do artista norte-americano Eric Pickersgill.

Na série Removed, em que ‘apaga’ os dispositivos e deixa o seu lugar vazio, o fotógrafo mostra como estas máquinas – telemóveis ou consolas – se tornaram importantes, quase vitais.

Hello, Robot, que pode ser vista até 22 de abril, termina com a pirâmide da tecnologia, uma hierarquia da nossa relação com estes avanços e os respetivos exemplos. A visão (viajar ao espaço), operacionalização (a segway), a aplicação o GPS), e a aceitação (a internet ou o telefone), até se tornar vital (lápis ou computador), invisível (agricultura ou escrita) e naturalizada (o fogo).

Este domingo, a entrada é gratuita.

  • Hello, Robot. Design between human and machine

    MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia

Central 1

  • De domingo a segunda, das 11.00 às 19.00 (encerra às terças-feiras)

    Até 22 de abril

    Para todas as idades

Bilhetes: 5 euros; estudantes e seniores 2,5 euros; grupos de mais de 10 pessoas 2,5 euros por pessoa; gratuito até aos 18 anos e para membros MAAT.

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