Empresas pagam 1.000 euros aos trabalhadores para limpar florestas. Mas queixam-se da falta de interessados

  • ECO
  • 10 Março 2019

Há falta de mão-de-obra e é difícil encontrar interessados (e manter os poucos que há) em limpar florestas. Os terrenos e matas devem ser limpos até 15 de março.

As matas e florestas devem ficar limpas até ao final desta semana mas, para estes trabalhos, as empresas florestais não têm mãos a medir. O mesmo não se aplica aos trabalhadores que, dizem, são escassos. A falta de mão-de-obra no setor está a dificultar a limpeza destes terrenos, e nem com as empresas a oferecerem 1.000 euros aparecem interessados, avança o Jornal de Notícias (acesso pago).

Fernando Cruz, da Madeicampo, em Valongo, precisa de contratar dez pessoas para trabalharem “a tempo inteiro”, mas não encontra quem queira. Nem mesmo os salários que oferece, que rondam os 1.000 euros — mas que podem alcançar os 1.500 –, são suficientes para atrair interessados. A solução passa por recorrer ao instituto de emprego. Mas, ainda assim, “aparecem poucos, dizem que não têm experiência e queixam-se que é duro. Não fica ninguém”.

Do mesmo se queixa Marco Duarte, da Maialenhas: “Não se formam pessoas de um dia para o outro para saberem trabalhar com motosserras e equipamentos mais pesados”, disse ao JN, adiantando que manter os trabalhadores também não é fácil. “Podemos conseguir meter um ou dois, mas trabalham uns tempos, dizem que é duro e quando encontram outro emprego vão embora”. Nem mesmo com salários atrativos: “O salário base de um motosserrista ronda os mil euros. Os ajudantes recebem entre 650 e 750 euros”, revela.

A Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente esclarece que o problema da falta de mão-de-obra está “associado à sazonalidade dos trabalhos e a garantia de trabalho”.

Esta é uma situação que preocupa as empresas do setor nesta altura, dado que a limpeza e a gestão de faixas de combustível devem estar concluídas até 15 de março. A GNR começa a fiscalizar os terrenos e matas a 1 de abril. Nos casos em que estas não estejam limpas, cabe às autarquias estas funções, remetendo para os proprietários dos terrenos os custos associados. Aqui, há ainda coimas que podem variar entre os 280 e os 120 mil euros, consoante sejam particulares ou empresas.

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