Juros da dívida a dez anos tocam novo mínimo. Rating da S&P põe taxa abaixo de 1,3%

A revisão em alta da notação financeira da S&P, na sexta-feira, já era esperada, mas está a ter efeito positivo nos juros. Os investidores celebram, levando a taxa a dez anos para novos mínimos.

Os juros da dívida portuguesa voltam a renovar mínimos históricos depois de uma subida nova subida no rating. A Standard and Poor’s melhorou a notação de Portugal em um nível, na sexta-feira, para “BBB”, com perspetiva “estável”, ou seja, o segundo degrau acima do patamar de “lixo”, de que o país saiu em setembro de 2017.

“Esperamos que a economia portuguesa tenha um crescimento equilibrado entre 1,5% e 1,7% entre 2019 e 2021. Nos próximos três anos, projetamos que Portugal continue com excedentes orçamentais primários — excluindo os pagamentos com juros —, mantendo o rácio da dívida pública face ao produto interno bruto (PIB) num caminho firme de redução”, referiu o relatório publicado pela agência.

Apesar de o upgrade ser já esperado, a yield das obrigações portuguesas a dez anos seguem em baixa no mercado secundário, prolongando o sentimento positivo que tem levado à renovação de mínimos históricos e a que Portugal se financiasse com as taxas mais baixas de sempre, nas últimas duas semanas. Esta segunda-feira, a yield da dívida benchmark cai para 1,298%.

Os analistas contactados pelo ECO consideram que a margem para a redução nos juros está a ficar limitada, mas também que ainda há espaço para melhorias no risco-país, medido através do spread face ao juro pago pela dívida alemã. A yield das Bunds alemãs segue nos 0,09% pelo que este diferencial se situa nos 130 pontos base, o que compara com os mínimos registados após a crise da dívida de 105 pontos.

Filipe Garcia, economista e presidente da IMF – Informação de Mercados Financeiros explicou ao ECO que “a próxima referência é ao nível do estreitamento de spread em mais 20 pontos, o que não significa que não possa haver uma queda ainda mais acentuada”.

Já a Patris Corretora acrescentou que mesmo que o spread de Portugal face à Alemanha não sofra alterações, a tendência de contínua queda observada no custo da dívida alemã poderá também continuar a favorecer a redução da yield na dívida portuguesa. “A manutenção deste contexto poderá ser importante para que, pelo menos, o spread permaneça aos atuais níveis”, disse.

Juros caem abaixo de 1,3% pela primeira vez

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Juros da dívida a dez anos tocam novo mínimo. Rating da S&P põe taxa abaixo de 1,3%

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião