Costa defende que melhor forma de evitar nova crise é não correr riscos desnecessários

  • Lusa
  • 23 Abril 2019

O primeiro-ministro defende que Portugal não pode voltar a ter uma crise que “paralise o país longamente”, considerando que é necessário evitar “riscos de fazer mais do que aquilo que é possível.

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu nesta terça-feira que Portugal não pode voltar a ter uma crise que “paralise o país longamente”, considerando que é necessário evitar “riscos de fazer mais” do que aquilo que é possível.

António Costa presidiu à assinatura dos contratos de empreitada para a ampliação da Escola Básica do Parque das Nações e para a requalificação da Escola Secundária Camões, em Lisboa, salientando que eram duas questões por resolver há muitos anos e que ficaram “paralisadas” quando o país esteve em crise.

“Primeira grande lição que temos de tirar: nunca mais podemos ter uma nova crise que volte a paralisar o país longamente e a melhor forma de não voltarmos a ter uma crise é fazermos o que é necessário fazer sem correr os riscos de fazermos mais do que podemos fazer. Se fizermos com determinação e passo a passo, conseguimos fazer tudo o que é necessário”, defendeu.

Por outro lado, o primeiro-ministro classificou como errada a ideia que diz ter-se criado após a crise, de que se tinha investido excessivamente em instalações escolares, o que provocou uma quebra de 84% nas verbas disponíveis para investimento nas escolas do anterior quadro comunitário (QREN) para o atual Portugal 2020.

“Segunda lição: não só temos de evitar as crises, como não podemos deixar de, quando negociamos fundos comunitários, perceber que o investimento em equipamentos básicos continua a ser essencial para o futuro do país”, apontou.

No caso do “liceu” Camões, António Costa congratulou-se por o contrato hoje assinado permitir iniciar as obras em breve e “concluir com as obras de grandes escolas históricas que tinham ficado paralisadas”, onde incluiu também as do Conservatório Nacional e da escola Alexandre Herculano no Porto.

Já sobre a escola do Parque das Nações, que passará depois das obras a ter valências de segundo e terceiro ciclo, Costa recordou que já aqui tinha estado há nove anos, quando foi inaugurada como jardim de infância e escola de 1.º ciclo, então na qualidade de presidente da Câmara de Lisboa.

“Ao contrário do que se diz, não é mau regressar onde se foi feliz”, gracejou.

O primeiro-ministro lembrou que, já então, se falava no alargamento das valências da escola e recuou ainda mais no tempo para a altura em que, como ministro da Administração Interna, teve a tutela da Expo98, tendo constatado agora como chefe de Governo que havia problemas que se mantinham nesta zona de Lisboa.

“Felizmente – deve ser por isso que me chamam otimista – tenho tido a sorte de, de cada vez que chego a uma nova função, ajudar a resolver um problema que tinha detetado na minha encarnação anterior e que continuava por resolver”, afirmou.

“O maior desejo que tenho é não deixar muitos mais problemas destes para resolver para quem me suceda”, acrescentou.

Antes, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, tinha deixado o convite a Costa para que fosse ele a inaugurar as obras de ampliação desta escola do Parque das Nações, que devem estar concluídas dentro de dois anos e meio, ou seja, bem para lá das legislativas de outubro.

“Terei muito prazer, qualquer que seja a condição, de estar aqui na inauguração da Escola EB 2 3 para encerrar este ciclo”, respondeu, de forma prudente, o primeiro-ministro.

Antes, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, referiu que, no início de maio, será aberto o concurso para a nova escola básica da zona norte do Parque das Nações e que, ainda este ano, será lançado o concurso para o novo centro de saúde da zona, o que representará o fecho das infraestruturas previstas na Expo98.

Os dois contratos hoje assinados representam um investimento de 23 milhões de euros.

No Parque das Nações, a última fase de construção da escola permitirá acomodar cerca de 900 alunos, que passarão a ter refeitório e biblioteca, que não tinham, além de salas de laboratório, de artes ou de ginástica, num investimento de oito milhões de euros.

No “liceu Camões” as obras de requalificação começam no verão e vão custar cerca de 15 milhões de euros. As obras naquele que é dos estabelecimentos de ensino mais emblemáticos de Lisboa devem estar prontas em março de 2021.

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