BCP dá 0,2 cêntimos por ação aos acionistas e 12,5 milhões aos funcionários

O banco liderado por Miguel Maya vai levar à assembleia geral a proposta de distribuição de um dividendo de 0,2 cêntimos por cada ação. Parte dos resultados será entregue aos funcionários.

O Banco Comercial Português (BCP) teve lucros 301,1 milhões de euros no ano passado. Prometeu, com base neste resultado, voltar a pagar dividendos e vai cumprir. Propõe entregar 0,2 cêntimos por ação aos acionistas, tendo reservado 12,5 milhões de euros para compensar os funcionários que foram alvo, nos últimos anos, de uma redução de salário.

“Com base nos resultados consolidados relativos ao exercício de 2018, divulgados publicamente no dia 21 de fevereiro, propor à assembleia geral” a distribuição de dividendos, lê-se no comunicado emitido esta terça-feira, algo que o banco já não fazia desde 2010, com base nas contas de 2009. O banco pretende entregar 10% dos lucros, o equivalente a 30,1 milhões de euros.

Assim, a proposta da administração do banco liderado por Miguel Maya é a de entregar aos investidores um dividendo de 0,002 euros por ação, ou seja, 0,2 cêntimos. Tendo em conta a cotação de fecho da sessão desta terça-feira, 23 de abril, de 24,86 cêntimos, esta remuneração apresenta uma rentabilidade de 0,8%.

Apesar de estar na ordem de trabalhos da assembleia geral, o pagamento de dividendos carece da autorização do Banco Central Europeu, que terá de garantir que essa distribuição de lucros não põe em causa o cumprimento dos rácios de capital. Essa “luz verde” do BCE ainda não chegou, disse fonte oficial do banco ao ECO.

Enquanto os acionistas recebem dividendos, os trabalhadores preparam-se para começarem a receber uma “compensação pela redução de salários acordada ao abrigo do Acordo Coletivo de Trabalho”. Esse acordo prevê a “distribuição de resultados no montante de 12.587.009,00 pelos colaboradores”, refere o comunicado enviado à CMVM.

Recentemente, o ECO revelou que o banco liderado por Miguel Maya estava a negociar a restituição dos valores retidos aos trabalhadores, dependendo essa reposição do escalão salarial, com prioridade aos salários mais baixos que foram visados pelos cortes durante a crise.

Neste sentido, o BCP pretende devolver a totalidade dos cortes aos salários até 1.500 euros já este ano e entre 33% e 50% aos salários entre 1.500 euros e 2.500 euros, não tendo sido possível apurar a proposta para salários acima dos 2.500 euros.

(Notícia atualizada às 18h57 com mais informação)

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