BCP quer devolver 100% dos cortes aos salários até 1.500 euros já este ano

Miguel Maya pretende devolver já este ano a totalidade das verbas retidas durante a crise para quem recebe 1.500 euros. Reposições para os restantes serão feitas durante três anos, apurou o ECO.

Miguel Maya , CEO do BCP, pretende repor os cortes salariais que vigoraram durante a liderança de Nuno Amado.Paula Nunes / ECO

O BCP BCP 0,05% quer devolver na totalidade os cortes salariais aos trabalhadores com remunerações até 1.500 euros já este ano. Já para as remunerações que variam entre 1.500 euros e 2.500 euros, a restituição das verbas retidas entre 2014 e 2017 situar-se-á entre os 33% e os 50%.

Foi com Nuno Amado à frente do banco que os funcionários que recebiam mais de 1.000 euros viram os seus salários cortados em 2014. A medida vigorou até junho de 2017 e os cortes atingiram um máximo de 11% do salário bruto. O BCP estava no início de uma profunda crise e a justificação para os cortes salariais foi a necessidade de um esforço de contenção salarial para permitir salvar 400 postos de trabalho.

Agora, sem nuvens no horizonte, depois dos lucros de 300 milhões de euros em 2018, a administração de Miguel Maya está sentada à mesa das negociações para chegar a um acordo com os sindicatos relativamente à forma como será feita reposição dos cortes salariais. E o que está em cima da mesa é isto: a restituição dos valores vai depender do escalão salarial, com prioridade aos salários mais baixos que foram visados pelos cortes durante a crise, disse uma fonte próxima das negociações ao ECO. Isto é: devolver 100% dos cortes aos salários até 1.500 euros já este ano e entre 33% e 50% aos salários entre 1.500 euros e 2.500 euros. O ECO não conseguiu apurar a proposta para salários acima dos 2.500 euros.

Ainda assim, no geral, os trabalhadores do BCP deverão reaver os cortes num período até três anos, adiantou a mesma fonte, sublinhando que as negociações entre as duas partes (administração e sindicatos) ainda se encontram longe de estar fechadas. “A procissão ainda vai no adro. Ainda há muito trabalho pela frente”, lembrou.

O ECO contactou o BCP sobre o estado das negociações com os sindicatos, que recusou fazer comentários. “O BCP encontra-se em processo de negociação com os sindicatos, pelo que não considera oportuno efetuar qualquer comentário sobre os temas que estão a ser abordados nas reuniões, nem sobre a forma como estão a decorrer as negociações”, disse fonte do banco.

No início desta semana, Sindicato dos Bancários do Norte (SBN), Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos e Bancários (SNQTB) e Sindicato Independente da Banca (SIB) reuniram-se com a administração do banco. Já depois desse encontro, os três sindicatos emitiram um comunicado a dar conta da evolução do processo negocial: “A proposta da administração do BCP permite uma maior aproximação ao que é pretendido por SNQTB, SBN e SIB, isto é, uma devolução maior e num período mais curto. Ainda assim, para que possa ocorrer um entendimento, os três sindicatos entendem que a restituição dos valores retidos deve ocorrer a um ritmo mais célere”, afirmaram os sindicatos no comunicado datado de 16 de abril.

"A proposta da administração do BCP permite uma maior aproximação ao que é pretendido por SNQTB, SBN e SIB, isto é, uma devolução maior e num período mais curto. Ainda assim, para que possa ocorrer um entendimento, os três sindicatos entendem que a restituição dos valores retidos deve ocorrer a um ritmo mais célere.”

SNQTB, SBN e SIB

Comunicado conjunto

E o que foi transmitido à administração do banco foi isto: “Estas verbas, sendo dos trabalhadores, devem ser restituídas de forma célere, justa e universal, devendo os critérios de restituição ocorrer na mesma base que existiu aquando dos cortes. Após quase uma década, os três sindicatos entendem que este é o ano de inversão do ciclo para os trabalhadores e que administração do BCP não pode deixar de atender a esta reivindicação“.

Na semana passada, Sindicato dos Bancários do Centro (SBC) e o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI) revelaram um acordo com o banco para a devolução de pelo menos 25% do corte salarial, e “em numerário”.

Seja como for, a devolução dos cortes aos trabalhadores terá de ser aprovada na assembleia geral de acionistas do próximo dia 22 de maio. A ser aprovada a restituição dos valores retidos, Miguel Maya começa a dar cumprimento a um dos compromissos que estabeleceu desde a primeira hora que assumiu a liderança do banco. O valor retido aos trabalhadores ascenderá a cerca de 30 milhões de euros.

Além da devolução dos cortes, o banco e os sindicatos estão a negociar a atualização dos salários. A administração não quer ir além de uma subida salarial de 0,6%, apurou o ECO. Só que os sindicatos não estão muitos disponíveis para aceitar estes aumentos. “A proposta de aumento salarial da administração do BCP está ainda longe de apresentar um valor que possa ser entendido como justo e aceitável”, referiram os três sindicatos.

Nos últimos acordos negociados na banca, a atualização salarial foi de 0,75% com efeitos retroativos a partir de 2018, como foi o caso do Banco de Portugal ou da Caixa Geral de Depósitos, por exemplo.

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