Professores: “Aguardo pela votação final global”, diz Costa, que insiste que “a última coisa que deseja é uma crise política”

O primeiro-ministro diz estar à espera dos resultados da votação final sobre a contagem tempo de serviço dos professores, salientando que a última coisa que deseja é uma crise política.

O primeiro-ministro reafirmou esta segunda-feira que o Governo caíria se for aprovada a recuperação integral do tempo de serviço dos professores. Apesar da ameaça, António Costa disse, em entrevista à TVI, durante o “Jornal das 8”, que irá aguardar “com serenidade” pela votação final global.

“A última coisa que um primeiro-ministro quer é demitir-se e a última coisa que deseja é uma crise política”, afirmou o primeiro-ministro, mantendo a incerteza quanto ao futuro. António Costa insistiu que a confirmar-se o cenário de aprovação da contagem integral do tempo de serviço dos professores — apesar de Rui Rio e Assunção Cristas terem garantido que rejeitariam o diploma –, “o Governo não terá outro remédio senão demitir-se”. “As consequências que teria a aprovação são consequências que põem em causa a estabilidade financeira do país”, acrescentou.

O primeiro-ministro manteve as críticas à direita, afirmando que tem ouvido o PSD e o CDS-PP a dizerem “tudo e o seu contrário” — mas que “ninguém tem direito a criar ilusões e mentir aos professores e enganar os portugueses” –, e continuou a defender a esquerda. Costa insiste que as posições destes partidos não “surpreenderam”, reforçando que “quem deu uma grande cambalhota foi o PSD e o CDS”.

Além disso, o primeiro-ministro relembrou que nenhum partido político representado na Assembleia da República (AR) previa a recuperação do tempo perdido, apenas “previam o descongelamento”, acrescentando que “descongelar não significa recuperar o tempo que esteve congelado”.

Já relativamente à crise política de 48 horas em que o país esteve mergulhado, António Costa afirmou que, com o ultimato que fez — demitir-se caso fosse aprovada em votação final global o reconhecimento do tempo integral do tempo de serviços dos professores (nove anos, quatro meses e dois dias) — não procurava “uma crise política”, mas sim “evitar uma crise orçamental”. “Quis antecipar um problema”, continuou.

Para já, António Costa aguarda com “serenidade” e espera que o desfecho seja a reprovação de um diploma que pretende aprovar a contagem integral. “Espero que ganhe o país. Se for aprovada, o país perde do ponto de vista da sustentabilidade financeira“, afirmou.

“Aquilo que eu desejo é, obviamente, aquilo que anunciei. Que se mantenha aquilo que é compatível com a capacidade orçamental do país”, disse.

Sobre a possibilidade de uma greve que coloque em risco as avaliações finais, Costa disse, ainda, que confia nos professores. “Acredito que o bom senso é comum a todos os portugueses. Não preciso de apelar ao bom senso porque confio no bom senso dos professores”, referiu.

(Notícia atualizada às 21h35)

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