ANTRAM diz-se “empenhada” em “construir solução de consenso” em clima de paz

Associação de empresas reage a pré-aviso de greve dizendo que apenas procurou comunicar aos associados pontos relevantes da proposta dos motoristas. Nada refere sobre valores em negociação.

A Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) reagiu ao pré-aviso de greve do Sindicato Nacional de Motoristas de Mercadorias Perigosas (SNMMP) manifestando-se “totalmente empenhada” em encontrar uma solução de consenso e também na manutenção de um “bom clima negocial”.

Em comunicado divulgado já ao final da noite de quarta-feira, a ANTRAM esclareceu que na nota onde divulgou que os motoristas tinham recuado nas pretensões de um salário base de 1.200 euros apenas pretendia “comunicar aos seus associados pontos relevantes da proposta apresentada pelo SNMMP para evitar um escalar de dúvidas e consequente agitação nas empresas”.

O intuito da associação com aquela comunicação, sublinham, não foi o “de obstaculizar ou prejudicar as negociações que estão a decorrer com este sindicato num clima de boa-fé negocial”. Na nota citada, a ANTRAM aponta que após a sua “rejeição expressa” da reivindicação dos motoristas (salário base de 1.200 euros brutos), o SNMMP terá apresentado “uma clara mudança de postura”, avançando com “uma nova contraproposta negocial”, que assentaria “num salário base de 700,00€ com efeitos a partir do dia 1 de janeiro de 2020″.

Ora, e em reação a esta nota, o SNMMP reagiu duramente, avançando de imediato com um pré-aviso de greve para 23 de maio. Em causa “as falsidades” referidas pela ANTRAM. Segundo explicou Pardal Henriques ao ECO, o pré-acordo a que o sindicato e a ANTRAM chegaram não era o de um salário base de 700 euros, antes um aumento gradual até aos 1.200 euros, com um valor de partida de 1.010 euros já em janeiro de 2020.

Também reação à nota da ANTRAM, outro sindicato de motoristas, o Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM), veio manifestar a sua total disponibilidade para lutar lado a lado com o SNMMP na paralisação anunciada para 23 de maio. Face a estas duas reações, a ANTRAM acabou por libertar novo comunicado já ao final da noite onde, todavia, não faz qualquer menção a valores negociados, nem esclarece a diferença entre os “seus” 700 euros e os 1.010 euros referidos pelo sindicato.

“Tendo em vista o normal decurso das negociações, a ANTRAM apenas voltará a comunicar sobre a proposta que lhe foi apresentada, de forma presencial, aos seus associados, nas reuniões que irão decorrer já na próxima semana, bem como ao SNMMP nas reuniões que vierem a ter lugar posteriormente”, assegura agora a ANTRAM.

O protocolo negocial assinado entre a associação e o sindicato, que levou à interrupção da greve dos motoristas de matérias perigosas iniciada a 15 de abril, impedia as partes de revelarem detalhes sobre dados concretos em negociação.

No comunicado de esta quarta-feira, a ANTRAM sublinha então estar “totalmente empenhada, como sempre esteve, em construir uma solução negocial de consenso com o SNMMP”, estando igualmente empenhada “em dar continuidade ao bom clima negocial e aos resultados obtidos na reunião de ontem, que decorreu no Ministério das Infraestruturas e Habitação”.

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